Em comunicações diplomáticas recentes, a representação do Brasil na Venezuela passou a se referir a Delcy Rodríguez com os títulos de “vice-presidenta” e até “presidenta”. A designação consta de telegramas encaminhados ao Itamaraty e chama atenção pelo contexto político em que ocorre.
De acordo com registros da embaixada brasileira em Caracas, Delcy Rodríguez — que atua como vice do regime venezuelano e chegou a exercer funções de comando interino — é tratada formalmente com essas nomenclaturas em documentos internos. A prática ocorre apesar do cenário de isolamento internacional enfrentado pelo governo de Caracas.
Tanto Rodríguez quanto Nicolás Maduro permanecem no poder após um processo eleitoral amplamente questionado. A votação é apontada como uma das maiores fraudes da história recente do país e provocou reação negativa de governos e organismos internacionais. Mesmo assim, o Palácio do Planalto evitou reconhecer oficialmente o resultado proclamado pelo regime chavista.
O próprio Lula, apesar da histórica proximidade política com Maduro, não chegou a endossar publicamente a chamada “vitória” do aliado. A repercussão global da fraude tornou politicamente custoso qualquer gesto de legitimação explícita.
Linguagem herdada do período Dilma
O uso do termo “presidenta” não é novidade na diplomacia brasileira. A forma ganhou força durante o governo de Dilma Rousseff, que determinou o emprego da palavra em documentos oficiais enquanto esteve à frente do Planalto, antes de sofrer impeachment.
Desde então, a nomenclatura permanece em certos círculos burocráticos, reaparecendo agora nos telegramas enviados a Brasília. No caso venezuelano, o tratamento aplicado a Delcy Rodríguez acabou ganhando contornos políticos ainda mais sensíveis.
Acesso restrito e aposta diplomática
Segundo bastidores da diplomacia, a atenção dedicada a Rodríguez tem uma explicação prática. Com acesso limitado a Maduro, diplomatas brasileiros encontraram na vice-dirigente uma das poucas autoridades dispostas a manter diálogo direto com a missão estrangeira.
Telegramas de 2025 da chamada “Brasemb Caracas” — codinome usado para a embaixada brasileira — registram menções frequentes à dirigente venezuelana. Hoje, essas comunicações são vistas como um sinal de aposta estratégica, ainda que cercada de controvérsia, sobre quem de fato exerce influência no poder local.
A informação foi revelada pela Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder, e reacendeu o debate sobre os rumos e o tom da diplomacia brasileira em relação ao regime venezuelano.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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