O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou os vistos de entrada a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam visitar o Brasil para discutir temas relacionados às eleições e à liberdade de expressão. A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
Segundo reportagem publicada pelo jornal americano The Washington Post, o governo do presidente Donald Trump planejava enviar Riley Barnes, secretário assistente, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto do Departamento de Estado, ao Brasil. De acordo com o veículo, a missão teria como objetivo levantar questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O governo brasileiro afirmou ter identificado previamente a iniciativa. Conforme informações oficiais, o pedido de visto foi apresentado ao Consulado do Brasil em Washington no dia 20 de julho. O Itamaraty confirmou, nesta sexta-feira (24), que os vistos foram negados.
Formalmente, os Estados Unidos informaram que a visita teria como pauta debates sobre liberdade de expressão relacionada ao processo eleitoral.
A negativa ocorre em um momento de forte desgaste entre os dois países. Além das divergências políticas, Brasil e Estados Unidos enfrentam impasses comerciais após a adoção de tarifas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros e as sinalizações de possíveis medidas de reciprocidade por parte do governo Lula.
O episódio também acontece no início da disputa presidencial, que deve colocar frente a frente o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Um dia após o governo brasileiro tomar conhecimento da solicitação dos vistos, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião com embaixadores, fato citado por integrantes do governo como um dos elementos que aumentaram a atenção sobre o caso.
Aliados de Lula reagiram com críticas à tentativa de envio dos representantes americanos. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que "ninguém, muito menos Trump, vai se meter no processo eleitoral brasileiro".
Durante a convenção do PT que oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo, Lula também fez referência a possíveis interferências estrangeiras, sem mencionar diretamente os Estados Unidos. O presidente declarou que o Brasil não aceitará ingerência externa em seu processo eleitoral e afirmou que "esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho".
Fonte/Créditos: Pleno News
Créditos (Imagem de capa): Foto: EFE/EPA/YOAN VALAT
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