Vaga de desembargador no maior tribunal federal do país opõe ministros do STF em articulação silenciosa.
Uma cadeira vaga no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) acendeu uma batalha de bastidores entre três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). De um lado, Gilmar Mendes e Flávio Dino atuam em conjunto para emplacar o nome de Fausto Mendanha Gonzaga. Do outro, Nunes Marques trabalha para que o escolhido seja Henrique Gouveia da Cunha, seu juiz auxiliar no STF.
A lista tríplice e o perfil dos candidatos
A lista tríplice que será encaminhada ao presidente Lula conta ainda com um terceiro nome: Itagiba Catta Preta Neto. Considerado “bolsonarista” por parte do STF, Catta Preta também é próximo de Nunes Marques. Em março de 2016, ele ficou conhecido por conceder uma liminar que suspendeu a posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil no governo Dilma.
Para aliados de Gilmar Mendes e Dino, tanto Cunha quanto Catta Preta representam a cota de influência de Nunes Marques. A escolha de qualquer um dos dois, na visão dessas pessoas, ampliaria o poder do ministro no Judiciário.
O papel do ex-deputado Elias Vaz na articulação
O ex-deputado Elias Vaz (PSB-GO) desempenhou papel relevante na articulação em favor de Gonzaga. Amigo de Dino, Vaz foi quem levou o nome do magistrado ao ministro do STF e apoia abertamente sua candidatura.
Após receber a sugestão, Gilmar Mendes — que é membro da ala de Dino e desafeto de Nunes Marques — decidiu encampar a indicação de Gonzaga.
TRF1: o maior tribunal da Justiça Federal
O TRF1 é o maior tribunal da Justiça Federal do Brasil. Sua jurisdição abrange o Distrito Federal e outros 13 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins. A corte concentra processos de grande impacto político, econômico e administrativo que envolvem a União.
A vaga está aberta há cinco meses, desde a aposentadoria de Novély Vilanova. A decisão final cabe ao presidente Lula.
Precedente: a disputa por vaga no STJ
A tensão atual não é inédita. Dois anos antes, uma queda de braço semelhante opôs Nunes Marques e Dino por uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Naquela ocasião, Nunes Marques saiu vitorioso: conseguiu emplacar Carlos Brandão, mesmo diante da resistência de Dino, ao convencer Lula.
A relação de Nunes Marques com Lula
Embora tenha sido indicado ao STF por Jair Bolsonaro, Nunes Marques mantém boa relação com o presidente Lula. O ministro já esteve no Palácio do Planalto fora da agenda oficial e também se encontrou com o presidente em eventos sociais, o que torna a disputa pela vaga no TRF1 ainda mais imprevisível.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução
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