Mulheres diagnosticadas com osteoporose podem ter maior probabilidade de carregar o gene APOE4, associado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, segundo uma nova pesquisa que aponta uma possível ligação entre a saúde dos ossos e o declínio cognitivo.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto Buck para Pesquisa sobre Envelhecimento, na Califórnia (EUA), e da Universidade da Califórnia em São Francisco, e publicado na revista Advanced Science. Os cientistas identificaram que o APOE4, o principal fator genético de risco para o Alzheimer, pode afetar a qualidade óssea em mulheres mesmo quando exames convencionais não indicam alterações.
De acordo com a pesquisa, essas mudanças podem ocorrer em nível microscópico e surgir ainda na meia-idade, permanecendo invisíveis em exames de imagem utilizados na rotina clínica para avaliar a densidade dos ossos.
Leia Também:
Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram alterações significativas em proteínas do tecido ósseo, com destaque para níveis elevados de APOE em células chamadas osteócitos, responsáveis pela manutenção da estrutura óssea. Em fêmeas mais velhas, esses níveis chegaram a ser o dobro dos observados em animais mais jovens ou machos.
Apesar das alterações moleculares, a estrutura dos ossos parecia normal nos exames, o que indica que o gene pode comprometer a capacidade de reparo das células ósseas antes de sinais clínicos evidentes. Esse processo enfraquece a resistência dos ossos sem ser detectado por métodos tradicionais.
Segundo os autores, o APOE4 interfere na manutenção de canais microscópicos essenciais para a força óssea, o que pode aumentar a fragilidade ao longo do tempo.
A professora Birgit Schilling, uma das autoras do estudo, afirmou que a descoberta é relevante porque mostra um comprometimento da qualidade óssea em nível molecular que não aparece em exames convencionais, especialmente em mulheres.
Os resultados também reforçam observações médicas anteriores de que pessoas com Alzheimer apresentam maior risco de fraturas, enquanto a osteoporose pode estar associada a um risco aumentado da doença neurodegenerativa. Para os cientistas, a descoberta pode contribuir para estratégias de detecção precoce e reforça a ideia de que o organismo deve ser entendido de forma integrada, e não por sistemas isolados.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se