O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou nesta sexta-feira (24) que a taxa básica de juros deve permanecer em nível elevado por mais tempo. Durante sua participação no evento Expert XP, promovido pela corretora XP, o chefe da autoridade monetária afirmou que o cenário econômico continua cercado de incertezas e exige cautela antes de qualquer flexibilização da política monetária.
Segundo Galípolo, embora a Selic já esteja em um patamar considerado restritivo, ainda não há segurança para iniciar um ciclo consistente de redução dos juros. Na avaliação do presidente do Banco Central, a inflação continua acima do teto da meta e não está claro se essa pressão decorre da força da economia brasileira ou do aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
"Ainda que os juros já estejam restritivos, esse é um fator que nos faz mantê-los em patamar restritivo por mais tempo", afirmou.
O presidente do BC destacou que a instituição não tomará decisões com base em indicadores isolados e continuará acompanhando atentamente a evolução da atividade econômica, da inflação e das expectativas do mercado. Para ele, o momento exige prudência e uma política monetária firme para garantir a convergência da inflação à meta.
Galípolo também afirmou que, diante do atual cenário, o Brasil necessita de uma política de juros mais rigorosa do que a adotada por outras economias, reforçando que o combate à inflação permanece como prioridade da autoridade monetária.
Apesar do discurso cauteloso, o mercado financeiro ainda projeta uma redução da taxa básica nos próximos meses. Conforme o Relatório Focus mais recente, a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para agosto, reduzindo a Selic de 14,25% para 14% ao ano. As projeções indicam ainda que esse deverá ser o patamar da taxa ao final de 2026.
As declarações de Galípolo tiveram impacto imediato nos mercados. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão com queda de 1,04%, aos 174.886 pontos. Além das sinalizações de manutenção dos juros elevados, os investidores também repercutiram o anúncio do novo tarifaço de 12,5% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que aumentou a pressão sobre os ativos nacionais.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
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