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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
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Notícias / Ciência & Tecnologia

Fungos mortais estão se multiplicando — podemos impedir o surgimento de novas ameaças?

BBC conversou com cientistas que estão na corrida para desenvolver novos tratamentos contra doenças causadas por fungos, que são cada vez mais comuns e perigosas.

Fungos mortais estão se multiplicando — podemos impedir o surgimento de novas ameaças?
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As mudanças climáticas costumam ser associadas a incêndios florestais, enchentes e danos a construções e à agricultura.

Mas o aumento das temperaturas também faz com que as doenças fúngicas consigam se espalhar para partes do planeta que, antes, eram frias demais para a sobrevivência dos fungos.

Pesquisas recentes realizadas pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, indicam que um fungo mortal que afeta milhões de pessoas por ano em países mais quentes logo poderá se propagar pela Europa, com o contínuo aquecimento do planeta.

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Trata-se de uma espécie do gênero Aspergillus que pode causar infecções pulmonares mortais.

Estima-se que ele seja responsável pela morte de cerca de 1,8 milhão de pessoas por ano, em todo o mundo — e a previsão é que ele se propague da África e da América do Sul em direção ao norte.

O alerta coincide com a recente série de ficção científica The Last of Us (2023-2025). A produção, baseada em um jogo de videogame homônimo, mostra um fungo terrível que altera o cérebro humano e dizima grande parte da população mundial.

A série exagera enormemente este risco, mas ainda existem receios muito reais sobre o aumento das doenças causadas por fungos, segundo a professora de Doenças Infecciosas Pediátricas Adilia Warris, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

"As doenças fúngicas podem variar de enfermidades leves e irritantes, como a frieira... até infecções possivelmente mortais, que atingem a corrente sanguínea ou o cérebro, o que pode ser fatal", explica a professora.

Os pés são um bom abrigo para os fungos devido às rachaduras por onde as células fúngicas podem invadir a pele. É um ambiente escuro e úmido, especialmente com o uso de meias e sapatos.

Mas um tipo diferente de fungo – os patógenos do mofo – representa outro problema quando aspirado pelos pulmões, especialmente se o nosso sistema imunológico já estiver debilitado.

Esses fungos liberam esporos que podem germinar nas "estruturas em forma de pão" que crescem no tecido pulmonar, causando doenças, segundo Warris.

O outro grupo importante de fungos já vive dentro de nós: as leveduras. O exemplo mais conhecido é Candida albicans, que faz parte da flora humana normal.

"Você encontra esta levedura [em] muitas pessoas saudáveis no [seu] intestino", prossegue a professora, "e ela simplesmente ajuda a manter a saúde intestinal, ao lado de uma série de bactérias."

Mas, se ela entrar na corrente sanguínea porque as defesas imunológicas da pessoa estão prejudicadas ou no caso de lesões dos órgãos, seja por traumas ou por procedimentos cirúrgicos, Warris explica que "o paciente irá desenvolver [algo comparável] ao que as bactérias podem fazer — uma septicemia [infecção generalizada], que é uma doença grave."

Tempestade perfeita

Muitos desses fungos já estão à nossa volta. A questão é por que eles passaram a representar mais problemas.

A professora de Microbiologia Clínica Rita Oladele, da Universidade de Lagos, na Nigéria, afirma que deveríamos nos preocupar mais com as doenças fúngicas, principalmente depois da pandemia de covid-19.

Ela explica que, com o aumento das temperaturas, surgiram patógenos emergentes.

E os avanços médicos, com o consequente aumento da nossa expectativa de vida, também colaboram para isso. Afinal, existem mais pessoas vivendo por mais tempo com seu sistema imunológico comprometido.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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