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Domingo, 26 de Abril 2026
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Filhote da jiboia mais rara do mundo é encontrado vivo pela 1ª vez em SP

Serpente exclusiva do estado de São Paulo ainda é pouco conhecida pela ciência. Indivíduo juvenil está sob cuidados de especialistas e será monitorado por pesquisadores.

Filhote da jiboia mais rara do mundo é encontrado vivo pela 1ª vez em SP
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Um morador da comunidade do Guapiruvu, em Sete Barras (SP), encontrou o primeiro indivíduo jovem vivo da jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), considerada a jiboia mais rara do mundo. O animal, de cerca de 80 centímetros, está sob cuidados de especialistas e será monitorado por pesquisadores.

O registro ocorre no ano em que o Projeto Jiboia-do-Ribeira completa 10 anos de atuação no Vale do Ribeira, com estudos científicos, monitoramento e atividades de educação ambiental com comunidades da região.

“Ele tem 80 centímetros, é um jovem, o primeiro indivíduo imaturo que foi encontrado vivo até agora. Para nós é simbólico por isso e também pelo fato de ele ter sido encontrado na localidade onde começamos as atividades do projeto em 2016”, comenta Daniela Gennari, coordenadora técnica do Projeto Jiboia-do-Ribeira e técnica das Coleções de Herpetologia do Museu de Zoologia da USP (MZUSP).Jovem de jiboia mais rara do mundo está sendo acompanhado de perto por pesquisadores — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Segundo a pesquisadora, o animal foi encontrado na estrada durante uma noite chuvosa.

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“Esse morador estava dirigindo e, ao fazer uma curva, a lanterna do carro iluminou o animal no caminho”, conta.

Daniela explica que o trabalho de educação ambiental desenvolvido pelo projeto tem ajudado moradores da região a reconhecer a espécie e entender sua importância para a conservação.

Graças a essa parceria com a comunidade, os pesquisadores agora acompanham de perto um animal saudável, que pode ajudar a revelar novas informações sobre a espécie.

O jovem encontrado é o 25º indivíduo de jiboia-do-ribeira conhecido pela ciência desde a descrição da espécie, em 1953. O número inclui também animais mortos registrados ao longo das décadas.

Para a equipe do projeto, o animal é o quinto indivíduo acompanhado diretamente pelos pesquisadores em dez anos de trabalho. Antes dele, duas fêmeas e um macho foram monitorados na natureza: Dona Crô (2017), Esperança (2020) e Ribeiro (2022).

Daniela Gennari realiza a pesagem da nova serpente encontrada no Guapiruvu — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Nova descoberta recente

No fim do ano passado, uma fêmea adulta foi localizada no município de Juquiá (SP). O animal foi resgatado e segue sob monitoramento. Por ser a primeira ocorrência da espécie na cidade, a serpente recebeu o nome de Juquiá.

“Esta jiboia foi a primeira da espécie encontrada neste município. A gente não sabe ao todo como está o status populacional desse bicho ali. Existem várias perguntas que precisam ser respondidas e algumas delas a gente consegue responder pelo monitoramento”, comenta Gennari.

A fêmea tem cerca de 1,70 metro de comprimento e está sendo mantida no Instituto Rio Itariri, em Pedro de Toledo (SP), em um espaço preparado especialmente para a espécie.

Característica de fossetas labiais ajudam a identificar espécie que não é venenosa — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Característica de fossetas labiais ajudam a identificar espécie que não é venenosa — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Para o pesquisador Bruno Rocha, coordenador científico do projeto e colaborador do Instituto Butantan, a descoberta do jovem trouxe uma mistura de sentimentos.

“A emoção é igual desde o primeiro indivíduo encontrado, que foi a Dona Crô, em 2017. É o mesmo tipo de sentimento: uma grande felicidade, mas desta vez com aquela sensação de ‘Eureka’ que todo cientista quer sentir. Estamos lidando com algo novo. Somado a isso vem o peso da responsabilidade de trabalhar com uma espécie que é deficiente de dados e extremamente rara”, diz.

Segundo ele, cada novo registro representa anos de trabalho e dedicação da equipe. “Já estávamos dedicados à Juquiá, e quando apareceu o filhote foi um arrepio tremendo.”

O novo indivíduo também está em ambiente controlado, com acompanhamento veterinário e realização de exames. Os dois animais estão em cidades diferentes, e os pesquisadores seguem monitorando ambos.

A expectativa é que, no futuro, as duas jiboias sejam reintroduzidas na natureza, iniciando uma nova etapa de monitoramento.

Sobre o projeto

O Projeto Jiboia-do-Ribeira é uma iniciativa independente coordenada pelos pesquisadores Bruno Rocha e Daniela Gennari.

O trabalho conta com apoio de instituições como Museu de Zoologia da USP, Instituto Conservação Brasil, Instituto Butantan, RAN/ICMBio, Fundação Florestal, Parque Estadual Intervales, Parque Estadual Carlos Botelho, Associação Amigos da Mata, Instituto Rio Itariri e Legado das Águas, entre outros parceiros.

“Um dos principais desejos é que todo o Vale do Ribeira saiba quem é a jiboia-do-ribeira, uma cobra não peçonhenta que tem essa raridade e relevância. O programa de conservação é o nosso sonho. Torná-la um símbolo e espécie guarda-chuva para o Vale do Ribeira”, afirma Daniela.

Grande parte dos registros da espécie acontece graças ao contato de moradores com os pesquisadores — resultado direto das ações de educação ambiental realizadas na região, contribuindo para reduzir a morte de serpentes no Vale do Ribeira.

Histórico da jiboia-do-ribeira

Considerada uma espécie fantasma da herpetologia, a jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii) foi descrita em 1953 pelo pesquisador Alphonse Richard Hoge a partir de um exemplar que chegou de Miracatu (SP) ao Instituto Butantan.

Na imagem o primeiro macho monitorado pelos pesquisadores, indivíduo foi batizado de Ribeiro — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Na imagem o primeiro macho monitorado pelos pesquisadores, indivíduo foi batizado de Ribeiro — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Durante décadas, a espécie permaneceu praticamente sem registros. Informações iniciais vieram de indivíduos entregues ao instituto em 1969 e 1978. O interesse científico voltou a crescer em 2002, quando surgiu a foto de um exemplar morto. “Era uma fêmea. Ela forneceu um tecido fresco para ser sequenciado pela primeira vez”, conta Bruno.

Em 2017, após anos de buscas, pesquisadores encontraram o primeiro indivíduo vivo monitorado pelo projeto: uma fêmea batizada de Dona Crô, com 1,75 metro de comprimento.

Os pesquisadores descobriram que a espécie é arborícola, podendo permanecer nas copas das árvores a até 20 metros de altura. Ela vive em áreas de floresta bem preservadas e apresenta metabolismo lento e locomoção vagarosa.

Em 2017, equipe do projeto monitorou uma fêmea da espécie, animal foi batizado de Dona Crô — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Em 2017, equipe do projeto monitorou uma fêmea da espécie, animal foi batizado de Dona Crô — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

O monitoramento também mostrou que a espécie tem comportamento sazonal. Durante o inverno, por exemplo, pode permanecer meses no mesmo local sem se alimentar.

“Quando a gente fala de mudanças climáticas, elas podem vir a ser uma atrocidade para essa espécie. A gente precisa entender os impactos dessas mudanças tanto na paisagem quanto para o animal em si”, comenta Daniela.

Para acompanhar os indivíduos reintroduzidos na natureza, os pesquisadores utilizam transmissores de rádio implantados nos animais, que permitem rastreamento por até 12 meses.

Por que a espécie é tão rara?

Bruno Rocha e Daniela Gennari são os responsáveis por tocar o trabalho independente Projeto Jiboia-do-Ribeira — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

Bruno Rocha e Daniela Gennari são os responsáveis por tocar o trabalho independente Projeto Jiboia-do-Ribeira — Foto: Projeto Jiboia-do-ribeira

A jiboia-do-ribeira é considerada uma das serpentes mais raras do mundo por vários fatores. Um deles é o endemismo: a espécie ocorre apenas no Vale do Ribeira, região montanhosa com características ambientais específicas.

É um bicho que está no estado de São Paulo e a gente ficou mais de 64 anos sem ver um vivo. Isso mostra o quão difícil é enxergá-la e encontrá-la”, diz Daniela.

Características:

  • A jiboia-do-ribeira possui fossetas labiais, pequenas cavidades na região da boca usadas para detectar calor.
  • O animal tem ventre amarelado e manchas pretas no dorso.
  • A locomoção lenta é outra característica marcante da espécie.
  • A espécie é mais ativa à noite.
  • Se alimenta principalmente de pequenos mamíferos, como roedores.

Segundo especialistas, essas informações ajudam a evitar confusão com serpentes peçonhentas, como a jararacuçu.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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