A frequência com que uma pessoa faz sexo varia ao longo da vida —muda com a idade, com o corpo, com o relacionamento e com o momento emocional. Ainda assim, a pergunta permanece recorrente em consultórios e estudos científicos: ficar muito tempo sem sexo pode fazer mal à saúde?
Para responder, pesquisadores vêm analisando dados sobre sexualidade, bem-estar e indicadores físicos, tentando separar associações observadas do que pode ser considerado efeito direto. Do ponto de vista médico, não há evidência científica robusta de que a ausência de atividade sexual, por si só, cause prejuízos físicos ao organismo.
“Em uma pessoa saudável, não existe evidência de que ficar meses ou anos sem sexo provoque um dano direto ao corpo”, afirma a uroginecologista Rebeka Cavalcanti, membro da Sociedade Brasileira de Urologia e da International Urogynecological Association.
A mesma avaliação é feita pelo ginecologista Juan Félix, do Hospital e Maternidade Santa Helena, da Rede Total Care. Segundo ele, a abstinência sexual não é considerada fator de risco independente para doenças.
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Associação não é causa
Parte da ideia de que sexo “faz bem à saúde” vem de pesquisas que associam vida sexual ativa a melhores indicadores cardiovasculares, menor estresse e melhor perfil hormonal.
Estudos observacionais publicados em revistas como o British Medical Journal, o New England Journal of Medicine e o Journal of Sexual Medicine identificaram esse tipo de relação ao longo das últimas décadas.
Mas os próprios autores desses trabalhos fazem a ressalva: associação não significa efeito direto.
O que está bem documentado são efeitos de curto prazo. Durante a atividade sexual e o orgasmo, ocorre liberação de substâncias como endorfina, oxitocina e dopamina, ligadas à sensação de prazer, relaxamento e bem-estar. Esse efeito agudo foi descrito em estudo publicado no World Journal of Urology.
A ausência de sexo afeta a saúde íntima?
Entre mulheres em idade reprodutiva, os especialistas são categóricos: ficar sem sexo não altera o pH vaginal, não compromete a lubrificação basal nem aumenta o risco de infecções. Esses parâmetros dependem principalmente do estado hormonal, da microbiota vaginal e de fatores como estresse, sono e uso de medicamentos.
Isso não significa, porém, que a atividade sexual seja irrelevante para a saúde íntima. Segundo a uroginecologista Rebeka Cavalcanti, a relação sexual regular pode contribuir para a manutenção da elasticidade e da vascularização da mucosa vaginal, por meio do estímulo mecânico e do aumento do fluxo sanguíneo local — fatores que ajudam a preservar o trofismo do tecido ao longo do tempo.
O ginec
ologista Juan Félix acrescenta que, em muitos casos, é a própria atividade sexual que pode modificar o pH e a microbiota vaginal, dependendo do parceiro e da exposição a novas bactérias — e não a ausência de sexo.
Na menopausa, o cenário muda — mas não por causa da falta de sexo. O ressecamento vaginal e a dor durante a relação estão ligados principalmente à queda do estrogênio, quadro conhecido como síndrome geniturinária da menopausa.
“Mesmo mulheres com vida sexual ativa podem apresentar ressecamento e dor se não tratam a causa hormonal”, afirma Rebeka.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Jacob Wackerhausen/GettyImages
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