Uma nova onda de desinformação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começou a circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagens nos últimos dias. As publicações afirmam que o parlamentar, apontado como pré-candidato à Presidência da República, teria dito que sua primeira medida em um eventual governo, a partir de 2027, seria promover uma reforma da Previdência e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que acabaria com direitos como aposentadoria, 13º salário e férias remuneradas.
No entanto, a informação é falsa. A própria equipe de verificação do jornal Estadão investigou o caso e concluiu que não há qualquer registro de Flávio Bolsonaro defendendo esse tipo de medida.
Segundo a apuração do Estadão Verifica, as publicações distorcem uma declaração do senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador da campanha de Flávio. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Marinho comentou que um eventual governo poderia discutir revisões nas áreas previdenciária e trabalhista, mas não apresentou detalhes sobre propostas nem mencionou o fim de direitos trabalhistas.
Nas redes sociais, porém, o trecho foi retirado de contexto e transformado em uma série de afirmações que passaram a circular como se fossem propostas concretas do senador.
Entre as mensagens compartilhadas estão alegações de que Flávio Bolsonaro pretendia aumentar a idade mínima da aposentadoria para até 75 anos, acabar com o 13º salário e as férias remuneradas, extinguir benefícios como seguro-desemprego e até ampliar a jornada de trabalho para 12 horas diárias. Nenhuma dessas propostas aparece na entrevista citada ou em qualquer declaração pública do parlamentar.

Procurado, Flávio disse que nunca apresentou “qualquer proposta nesses termos”. O senador afirmou que vai divulgar proposições no dia 30 de março.
“A primeira versão do meu plano de resgate do Brasil ainda nem foi apresentada, então é impossível falar de qualquer reforma”, afirmou.
O próprio parlamentar também destacou que eventuais reformas devem ter como objetivo fortalecer a economia e gerar oportunidades, e não retirar direitos da população.
A publicação que viralizou nas redes teria surgido a partir de um comentário feito no programa ICL Urgente, apresentado por Rodrigo Vianna, que analisava a entrevista de Rogério Marinho. O trecho foi posteriormente recortado e reinterpretado nas redes sociais, dando origem a mensagens que passaram a circular como se fossem propostas reais da campanha.
Aliados do senador avaliam que a disseminação de conteúdos desse tipo tende a aumentar à medida que o nome de Flávio Bolsonaro cresce no debate político nacional e começa a aparecer com mais força nas discussões sobre a eleição presidencial de 2026.
A própria checagem do Estadão Verifica concluiu que não há qualquer evidência de que o senador tenha defendido o fim da aposentadoria, do 13º salário ou de outros direitos trabalhistas, classificando as publicações como conteúdo falso que distorce declarações de terceiros.
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