A Polícia Federal deflagrou, na quarta-feira (12), a Operação Coffee Break, que mira suspeitas de fraudes em licitações de cidades do interior paulista. Entre os investigados está Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontada pela PF como articuladora para liberar recursos do Ministério da Educação (MEC) em favor da empresa Life Tecnologia Educacional, acusada de envolvimento em desvios milionários.
Carla foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Marisa Letícia, adotado por Lula na infância.
Um registro obtido pelo jornal O Globo, via Lei de Acesso à Informação, mostra que Carla entrou no gabinete do ministro Camilo Santana em julho de 2024. No campo referente a ocupação/cargo, aparece a inscrição “Presidente Lula”, apesar de ela não ter vínculo oficial com o governo.
No mesmo período foram registradas também as entradas do ex-deputado George Lima e de Fernando Moraes, identificado como secretário educacional e também investigado pela PF. A agenda oficial de Santana não lista compromissos no MEC naquele horário — apenas uma visita a um hospital da Universidade de Brasília.
Esquema de livros e kits de robótica teria movimentado R$ 125 milhões
A PF afirma que a Life Educacional firmou contratos com as prefeituras de Sumaré, Limeira, Morungaba e Hortolândia, envolvendo a compra de livros e kits de robótica. O volume total movimentado supera R$ 125 milhões, segundo os investigadores.
As suspeitas incluem superfaturamento e desvios para empresas de fachada e contas pessoais.
O delegado Guilherme Alves Siqueira resumiu o mecanismo:
“Geralmente não havia concorrência, e quando havia era simulada.”
A empresa teria vendido livros que custavam até R$ 5 por valores que chegavam a R$ 80, e obtido lucro de pelo menos R$ 50 milhões.
A ação desta semana cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Distrito Federal, apreendendo inclusive R$ 2,1 milhões em espécie. Cinco pessoas foram presas preventivamente; uma segue foragida.
Viagens a Brasília pagas por empresário
A investigação diz que Carla viajou ao menos duas vezes a Brasília com passagens custeadas por André Mariano, dono da Life. No despacho da 1ª Vara Federal de Campinas, o juiz afirma que “Carla parece ter ou alega ter influência em decisões do governo federal”, atuando para defender os interesses privados de Mariano.
O inquérito tenta determinar se ela conseguiu algum tipo de favorecimento junto ao FNDE, órgão ligado ao MEC.
A defesa de Carla afirmou que pediu acesso aos autos e só irá se manifestar após analisar toda a investigação. O MEC e a Life também não comentaram.
Pagamentos continuaram mesmo com indícios de irregularidade
Em Sumaré, a PF indica que entre 2021 e 2023 foram repassados cerca de R$ 52 milhões à Life, parte via Fundeb. Os pagamentos seguiram sendo feitos em 2024.
Os crimes investigados incluem fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, superfaturamento e tráfico de influência.
Carla estava em Campinas quando agentes cumpriram mandado de busca às 6h de quarta-feira. Foram apreendidos seu passaporte, celular, computador e um caderno de anotações.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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