Um médico ginecologista de 81 anos foi preso nesta quarta-feira (6) acusado de abusar sexualmente de pacientes no Paraná. Felipe Lucas mora em Irati, já foi deputado estadual, prefeito e vereador, e é médico há mais de 50 anos.
A prisão foi motivada pela denúncia de uma quarta mulher, que procurou a polícia após ver notícias sobre outras vítimas do médico. Ela relatou ter sido abusada durante um exame antes do parto em Teixeira Soares (PR).
Em nota, a defesa do médico alegou que a prisão é “ilegal” e que o fato está “prescrito”. A defesa afirmou que Felipe Lucas vai provar sua inocência no processo. O g1 não conseguiu contato com a defesa até a última atualização.
O que diz a nova vítima
Segundo o delegado Rafael Nunes Mota, a mulher relatou que o médico passou a mão na parte externa da genitália dela por cerca de cinco minutos. O abuso só parou quando uma enfermeira entrou na sala.
A polícia enquadrou o caso como estupro de vulnerável, pois entendeu que o médico colocou a paciente em uma posição em que ela não podia oferecer resistência.
As outras vítimas
Antes dessa prisão, três mulheres de Irati já haviam denunciado o médico por abusos durante exames ginecológicos:
-
Uma vítima relatou abuso em 2011
-
Outra vítima relatou abuso em 2016
-
A primeira denúncia (que tornou Felipe Lucas réu) aconteceu em fevereiro deste ano. A mulher de 24 anos foi atendida na rede pública e procurou a polícia sete dias depois, em “extremo abalo emocional”
Segundo a polícia, as duas primeiras vítimas não renderão novos processos porque os crimes já prescreveram. Seus relatos, no entanto, constam no primeiro processo para corroborar a palavra da vítima.
“Padrão de comportamento”
A Polícia Civil afirma que os relatos de todas as vítimas são semelhantes e indicam “um padrão de comportamento ao longo de décadas”. As mulheres relataram medo de denunciar o ginecologista por causa da influência política dele.
O delegado Luis Henrique Dobrychtop explicou que o médico usava supostos procedimentos clínicos como pretexto para os abusos. Em um dos casos, ele alegou estar fazendo “massagens para estimular a libido” – conduta que, segundo especialistas, não tem respaldo na medicina.
Atendimento sem registro
A Polícia Civil também descobriu que, no atendimento da primeira vítima, o médico não fez nenhum registro clínico. O prontuário eletrônico ficou em branco.
Além disso, enquanto a paciente estava despida na mesa de exames, o médico atendeu uma chamada telefônica pessoal que durou cerca de cinco minutos.
Trajetória do médico
Felipe Lucas é registrado no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) desde 1975. Em 2024, foi homenageado pela instituição por completar 50 anos de profissão.
Na política, foi vereador de Irati, prefeito (1992-1996) e deputado estadual (2003-2004 e 2014-2018). Em 2018 ficou como suplente e em 2020 tentou ser vice-prefeito, sem sucesso.
Próximos passos
A prisão é preventiva (sem prazo determinado). Devido à idade do médico, ele pode ser transferido para prisão domiciliar.
O Consórcio Intermunicipal de Saúde informou que o médico pediu afastamento temporário desde 9 de abril. O Conselho Regional de Medicina disse que vai instaurar processo de sindicância para apurar o caso.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se