Os Estados Unidos devem anunciar, nos próximos dias, um novo pacote de tarifas comerciais que poderá atingir aproximadamente 60 países, incluindo o Brasil. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, em entrevista à emissora CNBC.
As novas medidas são resultado de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), iniciadas em março, para avaliar práticas comerciais relacionadas ao uso de trabalho forçado na cadeia de produção e importação de mercadorias.
Segundo Greer, a legislação americana proíbe a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado, enquanto muitos países não possuem normas semelhantes ou não as aplicam de forma efetiva.
"Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato", afirmou.
As novas tarifas deverão substituir a taxa temporária de 10% adotada pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte dos EUA invalidar parte das sobretaxas impostas anteriormente, por entender que a justificativa legal utilizada era inconstitucional.
A decisão da Suprema Corte, porém, não atingiu as tarifas setoriais sobre produtos como automóveis, aço, alumínio e cobre. Para manter sua política comercial, o governo Trump passou a utilizar outro dispositivo legal, que permite a aplicação temporária de tarifas por até 150 dias, enquanto o USTR realiza investigações que podem fundamentar medidas permanentes.
Brasil pode receber nova sobretaxa
No caso brasileiro, o governo dos EUA avalia impor uma nova tarifa de 12,5%. Segundo Washington, o Brasil estaria importando produtos provenientes de países que utilizam trabalho forçado em suas cadeias produtivas.
Em resposta às acusações, o governo brasileiro apresentou, em junho, informações sobre a legislação nacional de combate ao trabalho escravo, ações de fiscalização realizadas no país e destacou que o Brasil é signatário de acordos internacionais voltados ao enfrentamento dessa prática.
Além dessa possível sobretaxa, o Brasil já foi atingido, na última quinta-feira, por uma tarifa de 25% sobre diversos produtos exportados aos Estados Unidos.
Na ocasião, o governo americano alegou que determinadas políticas brasileiras reduziram o acesso de empresas dos EUA ao mercado nacional.
Outros países também estão na mira das novas medidas. Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Equador e Paquistão poderão ser submetidos a uma tarifa de 10%, por, segundo Washington, possuírem mecanismos considerados insuficientes para impedir a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado. O Reino Unido também deverá ser enquadrado na mesma categoria devido às restrições parciais de sua legislação.
Na segunda-feira, os Estados Unidos anunciaram ainda uma sobretaxa adicional de 50% sobre produtos canadenses, que entrará em vigor dentro de um mês. Segundo Jamieson Greer, a decisão foi uma resposta às medidas de retaliação adotadas por Ottawa após as primeiras tarifas impostas por Washington em 2025.
As informações são de O Globo.
Créditos (Imagem de capa): Jamieson Greer, indicado para representante de comércio dos EUA pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante uma audiência de confirmação no Comitê de Finanças do Senado em Washington — Foto: Tierney L. Cross/Bloomberg
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