Reação à violência
Ainda na publicação, Mariana Goldfarb desabafou: “Eu nunca sabia o que viria, era sempre um pisar em ovos e era sempre uma coisa muito extenuante fazer de tudo para que o dia terminasse bem — e não vai terminar”, disse.
E contou como reagiu: “Comecei a beber muito, porque a gente vai procurando subterfúgios para anestesiar a dor. Também ouvi muito das minhas amigas e meu círculo familiar que aquilo estava errado, porque era visível. Eu já não era eu mesma. Meu brilho tinha saído porque parece que tem alguém na sua jugular chupando, sugando tudo. Você vai minguando”, contou.
Agressor mina a rede de apoio
No vídeo, a nutricionista falou sobre o comportamento dos agressores: “A partir do momento que você tem um entorno, fica mais difícil te manipular. Se for cortando essas pessoas que são tão importantes pra você, que te lembram quem você é, [você] fica muito mais vulnerável”, declarou, antes de completar:
“E isso também é uma outra coisa, porque nenhuma amizade presta. Todas são ruins, invejosas, estão com ciúmes e querendo ser você. É isso que você escuta. Nenhuma presta, sua família não presta”, emendou.
Questionamentos à vítima
Logo depois, ela recordou os questionamentos que, geralmente, fazem: “Então, eu acho que tem um jogo psicológico muito de culpa e vitimização. Eu também escutei muito isso ‘mas por que você não sai? Por que você não larga’. E eu entendo porque foi só a partir do momento que vivi isso, entendi que não é só o ‘por que você não sai’. Não é uma relação saudável, não é simples você sair, existe uma dependência que acaba aparecendo”, observou.
Ela ainda lembrou que o corpo responde: “O problema dessa relação é que ela vai na sua identidade, a maneiro como você se enxerga no mundo, a maneira como você é. A partir do momento que você não sabe como você é, que tua identidade foi aniquilada, é como se a gente fosse um zumbi”, comparou.
Mariana Goldfarb analisou: “O problema também de ouvir, durante muito tempo, que você não é capaz, é que uma hora você acaba acreditando. Tem um momento que é ou você sai ou você morre. E, assim, a tua alma morre. E não só a tua alma morre, muitas mulheres de fato morrem, né?”, declarou.
Experiência pessoal
Na campanha, ela lembrou de alguns sinais de alerta: “Começa, às vezes, com a coisa psicológica e vai crescendo. E a gente acha que não vai acontecer com a gente, mas acontece. Eu consegui sair num momento em que eu tinha só mais 5% de oxigênio. Ou eu usava aqueles 5% naquele momento, ou ali eu ia morrer, tudo meu ia morrer”, garantiu.
Na sequência, ela apontou: “Consegui sair nesse último respiro. Ou era ali [que saía], ou ficava ali pro restou da vida ou alguma coisa mais séria acontecer. Eu demorei muito tempo pra conseguir me separar porque requer muita coragem, não é pouca. Eu também não vou mentir e dizer que é muito fácil. Eu demorei anos”, assumiu.
Conselhos para as vítimas
Na gravação para o Ministério Público do Rio de Janeiro, Mariana Goldfarb mandou um recado para as mulheres: “O que tenho pra dizer é que a saída existe, é possível, não é utópica. Tanta gente conseguiu, por que você não vai conseguir?”, questionou.
Ela também aconselhou: “Não ignore os sinais, não ache que esse é o único tipo de relação possível porque não é. Relação saudável existe. Se você tá num lugar que te apequena, que é apertado, sai. Porque não tem nada mais importante que a sua vida”, disse.
No fim, a nutricionista opinou: “O personagem muda, mas a dinâmica do relacionamento se mantém. Por isso é tão importante entender o que está acontecendo, passando, para que o padrão mude. Que o fulano jogar o controle na sua direção, uma garrafa d’água, bater a porta de tal forma, gritar absurdos, fazer tratamento de silêncio, te diminuir, ter ciúme excessivo, te controlar, te podar, te castrar, não é normal”, disparou.
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