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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
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Notícias / Política

Estadão critica uso político de caso de menores por governo Lula para justificar controle das redes

Editorial do Estadão alerta para ameaças à liberdade digital em proposta que amplia poderes de órgão federal

Estadão critica uso político de caso de menores por governo Lula para justificar controle das redes
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Em editorial publicado nesta terça-feira (19), o jornal O Estado de S. Paulo criticou duramente o governo do presidente Lula por supostamente se aproveitar da comoção gerada por casos de “pedofilia on-line” para avançar com um projeto que amplia o controle sobre o ambiente digital. Segundo o jornal, a proposta ameaça as liberdades democráticas ao permitir que um órgão vinculado ao Executivo federal possa suspender plataformas digitais sem necessidade de autorização judicial.

Denúncia de influenciador desencadeia reação do governo

A mobilização popular teve como estopim a repercussão de um vídeo do influenciador Felca, que expôs redes de exploração de menores na internet. Em resposta, o governo federal anunciou que está preparando um projeto de lei para combater crimes virtuais contra crianças e adolescentes.

Entretanto, o conteúdo da minuta do texto evidencia, segundo o editorial, uma intenção mais ampla: estender o controle estatal sobre as redes sociais.

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ANPD ganharia poderes inéditos para bloqueio de plataformas

A proposta, que será enviada ao Congresso Nacional, prevê conceder à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) — vinculada ao Ministério da Justiça — a prerrogativa de bloquear redes sociais por até 60 dias sem decisão judicial, caso considere que as plataformas não atuaram de forma eficaz contra a pedofilia, fraudes ou outros crimes digitais.

Segundo o Estadão, isso abriria caminho para decisões arbitrárias, tomadas por um órgão diretamente subordinado ao Poder Executivo, sem garantias legais como o devido processo ou o direito ao contraditório.

Proposta contraria decisão recente do STF

“A proposta atropela a jurisprudência estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal”, destaca o editorial.

Em junho, o STF decidiu que apenas o Judiciário tem competência para determinar o bloqueio de redes sociais, garantindo os princípios da ampla defesa e do contraditório.

O editorial critica o governo por querer substituir o filtro judicial por uma decisão administrativa, tomada em gabinetes vinculados ao Planalto, mesmo sob o pretexto de proteger menores de abusos online.

Risco de censura estatal e controle da informação

O jornal recorda que o Partido dos Trabalhadores já tentou implementar, no passado, o chamado “controle social da mídia”, um termo que, segundo o Estadão, seria um eufemismo para censura estatal.

“A nova investida segue o mesmo roteiro: usa uma causa legítima para propor mecanismos de vigilância e controle do fluxo de informação”, afirma o editorial.

Outro ponto criticado é a falta de clareza no projeto sobre o que configuraria “negligência” das plataformas digitais. Essa indefinição poderia permitir que autoridades administrativas suspendessem redes sociais com base em critérios subjetivos, inclusive por motivações ideológicas.

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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