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Terça-feira, 14 de Abril 2026
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Endividado, Correios dá calote de R$ 3,7 bilhões em compromissos financeiros

Estatal enfrenta crise de caixa e posterga impostos, fornecedores e fundos de funcionários

Endividado, Correios dá calote de R$ 3,7 bilhões em compromissos financeiros
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A crise financeira dos Correios levou a estatal a suspender o pagamento de R$ 3,7 bilhões em compromissos acumulados. O valor engloba impostos federais, dívidas com fornecedores e repasses a fundos assistenciais de empregados.

A decisão de adiar desembolsos foi formalizada em junho, quando a empresa criou um Comitê Executivo de Contingência, subordinado diretamente à presidência. A medida buscou conter o impacto de um fluxo de caixa negativo e da sequência de quedas na arrecadação.

Receitas insuficientes e prejuízo bilionário

Relatórios internos mostram a dimensão do desequilíbrio. Entre janeiro e setembro de 2025, a arrecadação somou R$ 16,9 bilhões. No mesmo período, as obrigações totais alcançaram R$ 20,6 bilhões.

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Segundo a própria administração, caso todos os compromissos tivessem sido pagos dentro do prazo original, o prejuízo operacional teria atingido R$ 2,7 bilhões.

No terceiro trimestre isoladamente, a estatal registrou perda de R$ 6 bilhões. Ainda assim, a diretoria financeira projeta um prejuízo contábil consolidado de R$ 5,8 bilhões ao final de 2025.

Onde está concentrado o passivo

O detalhamento das pendências revela quais áreas foram mais impactadas pelos atrasos:

  • INSS patronal: R$ 1,44 bilhão
  • Fornecedores: R$ 732 milhões
  • Postal Saúde: R$ 545 milhões
  • PIS/Cofins: R$ 457 milhões
  • Remessa Conforme: R$ 346 milhões
  • Postalis: R$ 135 milhões

Dívida cresce em ritmo acelerado

A deterioração se intensificou no segundo semestre. Em julho, o valor total em aberto era de R$ 2,7 bilhões. Nos meses seguintes, o montante subiu cerca de R$ 1 bilhão, atingindo os atuais R$ 3,7 bilhões.

Em pouco mais de 90 dias, o débito com a Previdência Social quase dobrou. Já os atrasos em tributos federais mais que duplicaram no período.

Justificativa da direção

A cúpula dos Correios atribui parte do cenário a passivos herdados de 2024 e a dificuldades enfrentadas para captar recursos no encerramento do último exercício.

Com receitas pressionadas e despesas superiores à arrecadação, a estatal recorreu ao adiamento de pagamentos como estratégia para tentar atravessar o momento de instabilidade financeira.

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Divulgação

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