A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 17 de maio de 2026, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional após a rápida disseminação de um novo surto de Ebola causado pela variante Bundibugyo na África Central.
O surto teve início na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, e em menos de 48 horas já havia alcançado Uganda, onde foram confirmados dois casos em pessoas que viajaram recentemente do país vizinho.
Até 19 de maio, as autoridades sanitárias contabilizavam 536 casos suspeitos, 105 prováveis, 34 confirmados e 134 mortes no Congo. Em Uganda, dois casos foram confirmados, incluindo uma morte.
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A principal preocupação da OMS é que, diferentemente da variante Ebola-Zaire, não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para combater o vírus Bundibugyo.
Especialistas ouvidos pelo portal g1 responderam às principais dúvidas sobre a doença e os riscos de disseminação.
O Ebola pode chegar ao Brasil?
Segundo Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o risco existe, mas é considerado baixo neste momento.
Ela explica que o Ebola não é transmitido pelo ar, o que dificulta sua propagação em comparação com doenças respiratórias como Covid-19 e sarampo.
“O contágio exige contato direto com sangue, secreções, fezes ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada”, afirmou.
O infectologista André Bon lembra que o Brasil possui protocolos de vigilância e já monitorou casos suspeitos durante a grande epidemia africana de 2014, sem registrar infecções confirmadas.
O que torna este surto diferente?
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo, identificada pela primeira vez em Uganda em 2007.
A principal diferença em relação a outros surtos está na ausência de vacinas e medicamentos específicos para essa variante.
Atualmente, os pacientes recebem apenas tratamento de suporte, como hidratação, controle de hemorragias e monitoramento intensivo.
Como ocorre a transmissão?
O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com animais contaminados.
Não há transmissão pelo ar.
O período de incubação varia entre dois e 21 dias, com média de cinco a dez dias.
Quais são os sintomas?
Os primeiros sinais costumam incluir:
- Febre alta repentina;
- Dores musculares intensas;
- Fraqueza;
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia.
Nos casos mais graves, podem surgir hemorragias, queda de pressão arterial, choque e falência de órgãos.
O Brasil está preparado?
De acordo com especialistas, o país possui protocolos de resposta para doenças altamente infecciosas, incluindo monitoramento de viajantes, isolamento de pacientes suspeitos e confirmação laboratorial.
Além disso, profissionais de saúde brasileiros têm experiência no tratamento de doenças hemorrágicas, como dengue grave e febre amarela.
O mundo está mais preparado?
Especialistas acreditam que sim.
A experiência adquirida durante a pandemia de Covid-19 fortaleceu mecanismos de vigilância, resposta rápida e coordenação internacional para lidar com emergências sanitárias.
Ainda assim, autoridades alertam que mudanças climáticas e o aumento da circulação de pessoas podem facilitar o surgimento e a disseminação de novas doenças infecciosas.
Por que a OMS declarou emergência?
A OMS afirma que a medida tem caráter preventivo e busca mobilizar governos e sistemas de saúde para ampliar a vigilância e impedir que o surto se espalhe para outros países.
Embora o risco global ainda seja considerado controlável, a falta de vacinas e tratamentos específicos para a variante Bundibugyo aumenta a preocupação das autoridades sanitárias internacionais.