Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto em 1976 pela ditadura militar, e não vítima de um acidente de carro, como consta na versão oficial. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (8).
O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão (relatora do caso na CEMDP), tem mais de 5 mil páginas. O texto ainda está sendo examinado pelos demais conselheiros do colegiado para ser votado. A versão do parecer precisa ser aprovada para se tornar oficial.
O que diz o Ministério dos Direitos Humanos
Em nota, a pasta informou: “As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples. O relatório em questão segue em análise pelos membros da Comissão e ainda não foi submetido à votação.”
Morte controversa
Juscelino Kubitschek morreu em agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra (Resende, RJ), quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. A versão oficial diz que o Chevrolet Opala em que ele estava invadiu a pista contrária e bateu contra um caminhão após ser atingido por um ônibus. O motorista também morreu.
Ao longo dos anos, diversas teorias sugeriram que o episódio poderia ter sido um atentado político, devido ao contexto da ditadura militar no Brasil e da Operação Condor (ação coordenada entre regimes ditatoriais do Cone Sul, apoiada pelos EUA, entre 1975 e 1983).
O que dizem as comissões
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Comissão Nacional da Verdade (2014): descartou participação de militares na morte do ex-presidente
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Comissões estaduais da Verdade de SP e MG e comissão municipal paulistana: defendem a hipótese de atentado político
Reabertura do caso
Em fevereiro de 2025, o governo Lula decidiu reabrir o caso com base em um laudo do engenheiro e perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo Ministério Público Federal e concluído em 2019. O parecer contestou análises anteriores e rejeitou a hipótese de que o acidente tenha sido provocado por uma colisão entre o Opala e um ônibus antes do choque contra a carreta.
Próximos passos
Devido ao extenso volume de anexos e da necessidade de avisar os familiares de JK sobre o conteúdo das apurações, a votação do relatório ocorrerá após o contato com as famílias – o que ainda não tem data para acontecer.
Quem foi JK
Juscelino Kubitschek foi presidente do Brasil de 1956 a 1961, conhecido pela transferência da capital para Brasília e pelo projeto “50 anos em 5”. Após deixar a presidência, foi eleito senador. Com o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
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