Um novo documentário da BBC retomou as acusações de abuso sexual infantil feitas em 1993 contra o cantor Michael Jackson, com base em depoimentos de dois ex-detetives do Departamento de Polícia de Los Angeles (Los Angeles Police Department, LAPD).
A produção audiovisual reúne relatos sobre a investigação aberta após a denúncia de um menor de 13 anos, identificado como Jordan Chandler. Segundo o documentário, o caso foi conduzido pela unidade de crimes de exploração sexual infantil da polícia de Los Angeles.
A ex-detetive Rosibel Smith, que participou das apurações, afirmou que o menor teria fornecido descrições detalhadas sobre marcas no corpo do artista, que, segundo ela, só poderiam ter sido vistas caso o cantor estivesse sem roupas.
“Tínhamos informações da vítima sobre o corpo de Michael e, especificamente, sobre as marcas que ele tinha. A única forma de uma criança ter visto isso seria se Michael estivesse nu”, declarou a policial no documentário.
De acordo com as investigações relatadas, as autoridades chegaram a preparar uma ordem judicial para realizar um exame no corpo de Jackson, incluindo áreas íntimas, com o objetivo de verificar a compatibilidade entre as descrições e as características físicas do artista.
Outro ex-detetive, Federico Sicard, também relatou bastidores da investigação e afirmou que o cantor teria sido notificado sobre a ordem judicial. Segundo ele, o procedimento buscava documentar fisicamente os elementos citados pelo denunciante.
“Ele disse: ‘Vocês são uns idiotas’. O resultado foi que a evidência fornecida por Jordan Chandler foi confirmada”, relatou Sicard.
Durante o andamento do caso, Michael Jackson negou todas as acusações e afirmou publicamente que elas eram “totalmente falsas”. O artista sustentou ainda que estaria sendo vítima de uma tentativa de extorsão por parte da família do menor.
“Peço a todos que esperem ou ouçam a verdade antes de me rotular ou me condenar. Não me tratem como um criminoso porque sou inocente”, disse o cantor em declaração divulgada na época.
Segundo a ex-detetive Rosibel Smith, embora não tenha identificado motivação econômica direta por parte do menor, ela afirmou que a atuação dos responsáveis teve impacto no andamento da investigação.
Em 1994, o caso terminou em um acordo extrajudicial, no qual Jordan Chandler recebeu uma compensação financeira. Apesar disso, Michael Jackson não chegou a ser formalmente acusado na esfera criminal.
Os investigadores afirmam que o acordo civil acabou influenciando o rumo do processo, já que o denunciante deixou de colaborar com as autoridades, o que dificultou a continuidade das apurações.
O documentário ainda aborda os efeitos das acusações na imagem pública do artista e cita estratégias adotadas por seu entorno na época. Entre os elementos mencionados, está a intensa exposição midiática de sua vida pessoal, incluindo sua relação com a cantora Lisa Marie Presley, que ganhou grande atenção da imprensa durante o período.
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