A defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou, nesta sexta-feira (24), um agravo regimental no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a decisão do ministro Alexandre de Moraes. O recurso questiona a proibição do ex-presidente de receber visitas com finalidade político-eleitoral e de divulgar manifestos políticos até o fim das eleições de 2026.
O agravo regimental protocolado pela equipe jurídica solicita preliminarmente que o próprio ministro relator reconsidere a sua posição. Caso a determinação não seja revista de forma individual, os advogados pedem que a matéria seja encaminhada para análise colegiada na Primeira Turma do STF.
Argumentos da defesa e sanções disciplinares
Na peça enviada à Corte, os advogados destacam que o magistrado já havia aplicado a Bolsonaro a suspensão do direito de visitas por 30 dias. Essa penalidade disciplinar foi motivada pela divulgação de uma carta na qual o ex-presidente endossou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Apesar da aplicação dessa sanção temporária, o ministro estabeleceu restrições adicionais de longo prazo. A decisão proibiu a realização de visitas com caráter político-eleitoral e vedou a divulgação de manifestos por qualquer meio de comunicação, incluindo a intermediação de terceiros, até o pleito de 2026.
Questionamentos constitucionais e censura
A defesa argumenta que a medida amplia de forma indevida o alcance do artigo 15 da Constituição Federal, dispositivo que trata da suspensão dos direitos políticos de condenados. Segundo os advogados, a norma limita-se estritamente à capacidade eleitoral — o direito de votar ou ser votado — e não pode ser utilizada como justificativa jurídica para restringir a liberdade de expressão.
Para fundamentar o recurso, os juristas destacam os seguintes pontos críticos contra a decisão:
- Censura prévia: A proibição de divulgar manifestos políticos por qualquer canal configuraria violação da liberdade de manifestação.
- Subjetividade do conceito: A expressão "finalidade político-eleitoral" é apontada como um termo sem critérios objetivos, impedindo a identificação prévia de quais encontros seriam tidos como irregulares.
- Desproporcionalidade: A defesa sustenta que as restrições impostas ultrapassam os limites das penalidades disciplinares cabíveis no regime domiciliar.
O ex-presidente segue cumprindo as determinações vigentes enquanto aguarda a apreciação do recurso pelo STF, que deverá decidir sobre a manutenção ou flexibilização das medidas impostas.
Fonte/Créditos: CNN
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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