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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
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Corpo de brasileira que morreu de frio e fome na fronteira dos EUA segue no Canadá; veja o que se sabe e o que falta esclarecer

Família enfrenta entraves burocráticos e tenta viabilizar a repatriação, enquanto ainda busca informações oficiais sobre as circunstâncias da morte

Corpo de brasileira que morreu de frio e fome na fronteira dos EUA segue no Canadá; veja o que se sabe e o que falta esclarecer
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O corpo da brasileira Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, encontrada morta na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, segue no país norte-americano enquanto a família aguarda a conclusão de trâmites para o traslado ao Brasil. Segundo os familiares, ainda não há uma data definida para a repatriação.
De acordo com o irmão da vítima, Fabrício Oliveira Alves, as autoridades canadenses estão finalizando o registro da certidão de óbito, etapa necessária para a liberação do corpo.
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— Ainda não temos um dia certo. Estamos aguardando a finalização dessa documentação para poder dar andamento ao traslado — afirmou ao GLOBO.
Segundo a família, a confirmação da identidade de Letícia ocorreu no fim de fevereiro, quando os parentes receberam uma mensagem por WhatsApp de autoridades canadenses informando que, após testes de DNA, o corpo encontrado era o da brasileira. Na sequência, foi repassado o contato da funerária responsável pelos procedimentos iniciais.
No Brasil, a família iniciou os procedimentos com a funerária Global Funeral, em São Paulo, que ficará responsável pela etapa final do transporte.

Custos e entraves

Sem apoio financeiro do governo brasileiro, a família terá de arcar com todos os custos do processo. Segundo documentos obtidos pelo GLOBO, os gastos com serviços funerários e traslado internacional somam cerca de US$ 9,1 mil, cerca de R$ 48 mil.
Apesar disso, os familiares afirmam não saber ao certo por quanto tempo o corpo permaneceu sob responsabilidade da funerária canadense, nem se ainda está no mesmo local. Eles chegaram a solicitar um orçamento para o traslado com a empresa, mas optaram por seguir com uma funerária brasileira. Até o momento, segundo o irmão, não houve envio de documentos oficiais que confirmem a localização exata do corpo, sendo as informações repassadas principalmente por funcionários das funerárias.
Além das questões financeiras e burocráticas, os familiares também enfrentam dificuldades para obter informações detalhadas sobre as circunstâncias da morte. A família solicitou às autoridades canadenses o documento denominado “Rapport d'investigation de Leticia Oliveira Alves”, equivalente a um relatório pericial, mas ainda não recebeu retorno.
— Não sabemos se teremos acesso a esse documento. Ainda estamos tentando entender exatamente o que aconteceu — disse o irmão.

O que se sabe e o que ainda falta

As autoridades canadenses trabalham com a hipótese de que Letícia tenha morrido após exposição prolongada ao frio intenso, possivelmente associada à falta de alimento. Segundo a polícia provincial de Quebec (Sûreté du Québec), o corpo foi encontrado sem sinais aparentes de violência.
Apesar disso, ainda não há esclarecimentos públicos detalhados sobre os últimos dias da brasileira, nem sobre como ela chegou à região de mata onde foi localizada.
A identidade de Letícia foi confirmada no fim de fevereiro deste ano, embora o corpo tenha sido encontrado ainda em abril de 2024, na cidade de Coaticook, próxima à fronteira com os estados americanos de Vermont e New Hampshire.

Posição do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores informou que não irá custear o traslado e detalhou os critérios para esse tipo de assistência:
"Informa-se que, em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as Embaixadas e Consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais.
O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas. As ações deste Ministério se fundamentam no disposto no art. 257 do Decreto nº 9.199/2017 e no Decreto nº 12.535/2025.
As solicitações feitas são analisadas à luz da legislação mencionada e o resultado da análise é comunicado diretamente à família."

Relembre o caso

Natural de Goiânia, Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e tinha mestrado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), onde também iniciou um doutorado. Ela deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu sob os cuidados da avó.
Segundo a família, Letícia deixou o Brasil em 2023 e passou por países da América do Sul antes de seguir para os Estados Unidos. O último contato com os familiares ocorreu no fim daquele ano.
Investigações apontaram que ela entrou nos Estados Unidos em janeiro de 2024 e chegou a permanecer sob custódia de autoridades migratórias por cerca de três meses. Após ser liberada, não houve mais notícias.
Meses depois, o corpo foi encontrado em uma área de floresta na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. Para a família, a confirmação da morte encerrou um período de buscas, mas deixou perguntas em aberto.
— Não teremos paz até entender o que aconteceu — afirmou o irmão.

Fonte/Créditos: O GLOBO

Créditos (Imagem de capa): Letícia e sua filha — Foto: Arquivo da família

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