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Terça-feira, 30 de Junho 2026
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Cientista faz alerta: lucro, e não a ciência, pode decidir quais medicamentos chegam aos pacientes

Em entrevista publicada pela Brain Medicine, pesquisadora afirma que interesses financeiros têm influenciado quais medicamentos avançam para os testes clínicos.

Cientista faz alerta: lucro, e não a ciência, pode decidir quais medicamentos chegam aos pacientes
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A neuropsicofarmacologista e psiquiatra Gabriella Gobbi, professora da Universidade McGill, no Canadá, e presidente do Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (Collegium Internationale Neuro-Psychopharmacologicum), fez um alerta sobre o futuro dos tratamentos para doenças mentais. Em entrevista à Genomic Press, publicada na revista científica Brain Medicine, a pesquisadora afirmou que medicamentos promissores podem deixar de chegar aos pacientes devido à influência do capital de risco e da busca por lucro na indústria farmacêutica.

Segundo informações publicadas pelo g1, Gobbi demonstrou preocupação com o modelo atual de desenvolvimento de medicamentos, no qual a pesquisa inicial costuma ser financiada por recursos públicos, enquanto as fases mais caras, como os ensaios clínicos em seres humanos, dependem de investimentos privados.

"Meu maior medo é em relação ao futuro da psicofarmacologia e da descoberta de medicamentos. Não porque a ciência esteja falhando, mas porque um sistema ganancioso supervisiona a inovação hoje", afirmou a pesquisadora.

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Ainda de acordo com o g1, a psiquiatra alertou que tratamentos eficazes e de baixo custo podem acabar sendo abandonados caso não apresentem potencial de retorno financeiro para investidores.

"Podemos perder tratamentos bons e de baixo custo porque um sistema capitalista voraz controla qual medicamento será finalmente levado ao mercado", declarou.

A reportagem também destaca que Gobbi chama atenção para um problema semelhante envolvendo as chamadas doenças negligenciadas. Essas enfermidades afetam principalmente populações de baixa renda, com acesso limitado ao saneamento básico e aos serviços de saúde. Como o público-alvo possui baixo poder aquisitivo, o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas costuma despertar menor interesse da indústria farmacêutica.

Ao longo da entrevista, Gabriella Gobbi também relembrou sua trajetória científica. Conforme noticiado pelo g1, suas pesquisas começaram a partir da observação de adolescentes e jovens adultos que faziam uso de Cannabis e, anos depois, desenvolviam quadros de depressão acompanhados de anedonia, condição caracterizada pela redução ou perda da capacidade de sentir prazer.

Em 2007, seu laboratório publicou um dos primeiros estudos relacionando canabinoides, serotonina e sintomas associados à depressão. Três anos depois, pesquisas em modelos animais indicaram que a exposição à Cannabis durante a adolescência poderia aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento de depressão na vida adulta. Em 2019, estudos com grupos de pessoas forneceram evidências que reforçaram essa hipótese. A pesquisadora também passou a investigar o uso de psicodélicos para tratamento de transtornos mentais ainda em 2013, antes da ampliação das pesquisas clínicas sobre o tema.

Além das questões científicas, Gobbi abordou a desigualdade de gênero no meio acadêmico. Segundo o g1, ela relatou experiências de assédio e criticou barreiras enfrentadas por mulheres na ciência, como menor acesso a apoio institucional, menor visibilidade e dificuldades para participar de eventos científicos.

Primeira mulher a assumir a presidência do Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia, a pesquisadora afirmou que pretende trabalhar para tornar o ambiente científico mais igualitário.

"Essa é a causa que mais me entusiasma: mudar a estrutura da nossa cultura científica para que a excelência seja reconhecida sem impor um imposto adicional e oculto às mulheres", concluiu.

Fonte/Créditos: G1

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