Familiares de Miguel estiveram nesta sexta-feira no Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo. Como a morte foi considerada suspeita, a polícia aguardava o resultado de exames toxicológicos para liberar o corpo para sepultamento.
Uma ex-companheira de Miguel, que também é prima dele em primeiro grau e com quem ele manteve relacionamento, foi ao IML e formalizou o reconhecimento do cadáver. Ao longo do dia, os parentes tentaram localizar Andreas von Richthofen para comunicar a morte do tio, mas não conseguiram. Andreas estaria morando em endereço incerto no litoral de São Paulo.
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Segundo os familiares, eles se recusaram a entrar em contato com Suzane para informá-la da morte. Miguel deixou três bens, dois apartamentos e um sítio. Como não tinha filhos nem cônjuge, a tendência é que esse patrimônio entre em disputa e acabe dividido entre Suzane e Andreas, embora isso ainda dependa da definição formal da sucessão.
Pessoas próximas dizem que Miguel demonstrava preocupação em não deixar bens para Suzane, justamente por ela ter sido responsável pela morte de sua irmã. Ainda não se sabe, porém, se essa vontade foi registrada em testamento ou em algum documento com validade jurídica.
Vizinho chamou a polícia
Miguel foi encontrado morto na tarde de sexta-feira, dia 9, dentro da própria casa. Um vizinho estranhou a ausência de contato por cerca de dois dias, subiu no muro com uma escada e, ao olhar para o interior do imóvel, viu o corpo no quarto do piso superior, sentado no chão e com as costas apoiadas na cama. Em seguida, chamou a polícia.
O Samu foi acionado e constatou a morte poucos minutos depois. O corpo já estava em rigor mortis e livor mortis, o que indica que o óbito havia ocorrido horas antes. Não havia sinais aparentes de violência no local, mas a polícia preservou a casa e determinou a realização de perícia.
Miguel morava sozinho e levava uma vida isolada. No dia anterior à descoberta do corpo, a diarista esteve na casa, bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, mas não obteve resposta e foi embora. Câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa pela última vez no dia 7 de janeiro, às 17h10.
Depois do assassinato de Manfred e Marísia, Miguel rompeu relações com Suzane e tornou-se tutor de Andreas, então com 14 anos. Foi ele quem moveu a ação judicial que declarou Suzane indigna de herdar os bens dos pais, avaliados em cerca de R$ 10 milhões, fazendo com que Andreas herdasse tudo sozinho. Na época, Andreas chegou a defender a divisão da herança com a irmã, mas depois voltou atrás e disse em juízo que era manipulado por ela.
A relação entre tio e sobrinho também foi marcada por conflitos ao longo dos anos, ainda durante as investigações do crime. Agora, com a morte de Miguel, a polícia tenta esclarecer as circunstâncias do óbito, enquanto a família se prepara para uma nova e delicada disputa em torno do patrimônio deixado por ele.
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