🔎Estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indicam que a ilha de 500 mil km² contém "terras raras" (minerais 'do futuro', considerados estratégicos para a transição energética), além de basalto (rocha vulcânica) e camadas de argila vermelha — que comprovam que o local já foi uma ilha vulcânica tropical.
"São minerais que ocorrem na natureza. Ou o país tem reserva ou não tem, não tem como criar uma indústria de minerais. E o Brasil tem muito desta riqueza. O que encontramos é uma concentração anômala de minerais na Elevação Rio Grande", explica a pesquisadora Carina Ulsen, da USP.
"Nosso trabalho não é advogar a favor da mineração submarina, mas estudar a região e entender o que temos lá embaixo do ponto de vista mineral, animal e vegetal", diz Carine.
O Brasil tem a segunda maior reserva de "terras raras" do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Contudo, ainda não domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transformação industrial desses minerais.
Na prática, isso significa que o país ainda exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor.
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Reivindicação pelo território
Segundo a Marinha do Brasil, a Elevação do Rio Grande fica em uma área conhecida como Margem Oriental-Meridional. Essa área é uma das três que são reivindicadas pelo governo brasileiro em águas internacionais.
A Margem Oriental-Meriodional tem 1.500.000 km² e fica mais ao Sul. Além dessa, há os territórios nomeados Região Sul e Margem Equatorial. As três áreas ficam além da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil.
➡️ ZEE: território marítimo que abrange uma faixa de 200 milhas náuticas (aproximadamente 370 quilômetros) a partir do litoral, estabelecido como território brasileiro desde a assinatura da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Mar (CNUDM), em 10 de dezembro de 1982. O território além desta faixa é considerado patrimônio da humanidade.
As primeiras evidências começaram a aparecer em fevereiro de 2018, numa expedição liderada por pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que utilizou um navio de pesquisa para realizar dragagens.
Uma segunda expedição, realizada oito meses depois com um navio britânico, permitiu liberar um veículo submarino não-tripulado de operação remota (ROV), que fez imagens em alta resolução das camadas expostas na borda do cânion que corta a Elevação do Rio Grande, conhecido como a “Grande Fenda” (ou Rifte Cruzeiro do Sul, na nomenclatura oficial). Veja as imagens no vídeo que abre essa reportagem.
Essas evidências mostram que, em seu estado original, o solo era idêntico ao do interior de São Paulo, com terra vermelha.
“O fato de que estamos encontrando esses indícios, de que essa área era uma ilha até pouco tempo atrás, é muito importante, porque mostra que havia uma relação direta com o continente”, avalia o pesquisador Luigi Jovane, da USP.
Atualmente, pesquisadores da USP e de outras universidades, como Mackenzie, UNB, UERJ, Unisinos e Ufes, buscam estudar questões como legislação internacional, impactos ambientais, biologia, geologia e outros aspectos da Elevação Rio Grande.
No que diz respeito ao pedido do governo brasileiro, essa similaridade é um dos principais aspectos levados em conta pelos órgãos internacionais que fazem a avaliação.
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Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Divulgação
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