O Brasil registrou 1.571 casos de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O levantamento aponta um crescimento de 4% em relação a 2024, consolidando o quarto recorde consecutivo do indicador. A taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, o equivalente a aproximadamente quatro mulheres mortas por dia no país.
Além do aumento nos casos de feminicídio consumado, o estudo também identificou alta em diversos indicadores relacionados à violência contra a mulher. As tentativas de feminicídio cresceram 6%, enquanto as agressões decorrentes de violência doméstica aumentaram 2,6%. Já os registros de violência psicológica tiveram alta de 17%, o descumprimento de medidas protetivas também avançou 17% e os casos de stalking subiram 30%. Para cada feminicídio consumado, foram contabilizadas três tentativas.
Segundo a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, o aumento dos casos não pode ser explicado apenas por melhorias nos registros das ocorrências.
De acordo com ela, se a elevação estivesse relacionada exclusivamente ao aperfeiçoamento das notificações, a tendência seria de estabilização após alguns anos. No entanto, os dados apontam um crescimento contínuo, indicando sinais de aumento real da violência letal contra mulheres.
Brandão afirma ainda que a violência doméstica é influenciada por fatores como desigualdade de gênero, padrões culturais de dominação masculina e dificuldades na rede de proteção às vítimas. Segundo ela, o avanço da letalidade demonstra que muitos casos de violência conhecidos pelas instituições não estão sendo interrompidos antes de evoluírem para crimes mais graves.
O crime de feminicídio foi incluído no Código Penal brasileiro em 2015 e se refere ao assassinato de mulheres motivado por violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição feminina. Desde então, o indicador é acompanhado pelos órgãos de segurança pública para monitorar a evolução desse tipo de crime no país.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): Foto: Unsplash
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