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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
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Bahia destina R$ 21,5 milhões para formar médicos em Cuba e exige atuação de alunos em movimentos sociais

Programa seleciona jovens de baixa renda — especialmente da zona rural — com histórico de atuação em movimentos sociais

Bahia destina R$ 21,5 milhões para formar médicos em Cuba e exige atuação de alunos em movimentos sociais
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O governo da Bahia, administrado por Jerônimo Rodrigues (PT), oficializou um investimento de R$ 21,5 milhões para que 60 estudantes baianos participem da graduação em medicina oferecida pela Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Cuba. O valor será repassado ao regime de Miguel Díaz-Canel em parcelas anuais ao longo dos seis anos e meio de formação, segundo divulgou o portal Bahia Notícias.

O pacote  inclui matrícula, hospedagem, alimentação e bolsa de estudos. Cada vaga custará R$ 360 mil aos cofres estaduais.

Critérios de seleção e perfil dos candidatos

O edital, publicado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) na terça-feira, 11, estabelece prioridade para jovens de baixa renda que vivem em áreas rurais e que apresentem “destacado engajamento junto a movimentos sociais”, citando casos como o MST.

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A seleção será conduzida pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), responsável pelas três fases eliminatórias e classificatórias. A instituição atuará em cooperação técnica com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), entidade atualmente investigada pelo TCU por suspeitas envolvendo contratos relacionados à COP30 e ao programa Pé-de-Meia.

Como contrapartida, os futuros médicos deverão trabalhar por pelo menos dois anos em regiões rurais da Bahia, após a validação do diploma no Brasil.

Entre os requisitos para concorrer, estão:

  • nacionalidade brasileira;
  • residência preferencial na zona rural da Bahia;
  • ensino médio concluído;
  • idade mínima de 18 anos;
  • passaporte válido;
  • comprovação de atividades comunitárias;
  • compromisso de atuar dois anos no estado;
  • autodeclaração de baixa renda conforme a legislação.

Custos e comparação com valores de mercado

Informações recebidas pelo Bahia Notícias mostram que a própria Elam estimou o custo para estudantes não bolsistas em US$ 57,4 mil (aproximadamente R$ 303 mil) em 2025, valor que inclui o curso pré-médico. A hospedagem, acompanhada de alimentação típica cubana, ficaria em US$ 6,85 por diária (cerca de R$ 36).

Caso um aluno arcasse integralmente com as despesas, o montante total chegaria a R$ 23,2 milhões para um grupo equivalente ao financiado pelo governo baiano.

Origem da Elam e histórico de cooperação Brasil–Cuba

Criada em 15 de novembro de 1999 por Fidel Castro, a Elam surgiu com o objetivo de oferecer formação médica gratuita a jovens de países carentes da América Central e do Caribe atingidos por furacões no ano anterior. Mais de 30 mil estudantes de 120 nações já se diplomaram pela instituição.

A parceria entre Brasil e Cuba ganhou força a partir de 2013 com o Programa Mais Médicos, que utilizava a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como intermediária financeira entre os dois governos. Documentos divulgados posteriormente mostraram que apenas 25% a 40% do dinheiro repassado chegava aos profissionais cubanos, enquanto o restante permanecia com o Estado. Estimativas de 2013 apontaram retenções de até 75%.

As críticas ao modelo incluíam questionamentos de parlamentares e entidades sobre a falta de vínculo trabalhista no Brasil e possíveis irregularidades. A atuação da Opas também foi investigada pelo TCU e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Repercussão e decisões políticas

Em 2017, o TCU manteve o programa, mas recomendou ajustes e maior transparência. O tema voltou ao centro do debate em 2018, durante a campanha de Jair Bolsonaro, que defendeu pagamentos diretos aos médicos cubanos e revisão das regras para revalidação de diplomas.

Após as declarações do então presidente eleito, o governo cubano anunciou a retirada de mais de 8 mil profissionais do Mais Médicos, alegando que as falas eram “desrespeitosas e inaceitáveis”.

Com o retorno de Lula à presidência em 2023, o programa foi reativado. Recentemente, os Estados Unidos sancionaram o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e servidores da pasta por colaboração com o modelo; os EUA aplicaram medidas como cancelamento ou restrição de vistos.

Críticas dentro da Bahia

A médica baiana Raíssa Soares se manifestou contra a iniciativa do governo estadual. Para ela, a formação médica cubana é inferior à brasileira e a seleção de alunos não seria baseada em mérito, mas em alinhamento político. “Estudar medicina num lugar que é melhor que o Brasil, nós vamos agregar valor para quem estudar. Estudar num lugar que é pior: nós estamos gastando dinheiro de uma forma absolutamente sem sentido”, afirmou em vídeo publicado no X.

Ela também argumentou que, antes de enviar alunos para outro país, o governo deveria priorizar melhorias nas áreas locais: “Saúde e educação na Bahia têm os piores indicadores do país”.As informações são da Revista Oeste

 
 

 

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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