A Europa pode enfrentar nas próximas semanas uma escassez de combustível de aviação capaz de provocar cancelamentos de voos e encarecer passagens às vésperas do verão no hemisfério norte. O alerta foi feito nesta quinta-feira pelo diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, que afirmou que o continente tem “talvez seis semanas” de estoque de querosene de aviação disponível.
Segundo Birol, a pressão sobre o abastecimento decorre da guerra envolvendo o Irã e dos impactos sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde normalmente passa parcela relevante do petróleo comercializado globalmente. A interrupção logística elevou preços e reduziu a oferta de derivados, atingindo diretamente o setor aéreo.
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Companhias aéreas europeias já começaram a rever malhas. A Air France-KLM cancelou 160 voos dentro da Europa, concentrados em rotas entre Amsterdã, Londres e Düsseldorf, de acordo com o jornal britânico The Guardian. Outras empresas avaliam novos cortes caso o cenário persista.
A Comissão Europeia trabalha em medidas emergenciais para evitar um colapso no transporte aéreo durante a alta temporada. Entre as ações discutidas estão aumento da produção em refinarias, mapeamento da capacidade de abastecimento e busca de fornecedores alternativos nos Estados Unidos e na África.
O problema é agravado pela dependência externa do bloco. Cerca de 75% das importações europeias de combustível de aviação vêm do Oriente Médio, segundo a Reuters. Em alguns países, como o Reino Unido, a dependência é ainda maior.
Especialistas avaliam que, mesmo com eventual normalização no Estreito de Ormuz, a recomposição do mercado pode levar meses por causa de gargalos em refino, transporte e armazenamento. Aeroportos europeus operam tradicionalmente com estoques limitados.
Além do risco de cancelamentos, a crise tende a pressionar tarifas aéreas, turismo e inflação no continente. Para consumidores, o efeito mais imediato pode ser o aumento no preço das passagens e menor oferta de voos no verão europeu.
Créditos (Imagem de capa): Aviões da família A320 em Toulouse, na França, principal centro de produção global da Airbus — Foto: Airbus/Divulgação
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