Uma das mensagens destacadas pela Polícia Federal (PF) na representação que embasou a 9ª fase da Operação Compliance Zero mostra o grau de proximidade entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Em uma conversa reproduzida nos autos e mencionada na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Augusto escreveu ao líder do governo no Senado: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”.
A frase aparece em meio às tratativas relacionadas à venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Segundo a Polícia Federal, a mensagem foi enviada por Augusto Lima ao comentar a operação envolvendo a instituição financeira e foi considerada relevante por demonstrar uma relação de confiança e proximidade entre os dois. O próprio ministro relator destacou o trecho ao analisar os elementos apresentados pela investigação.
As suspeitas contra Jaques Wagner surgiram a partir do conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, um dos principais alvos da operação.
Segundo a PF, as conversas indicam que o senador teria mantido interlocução frequente com o empresário e, em paralelo, atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Entre elas, estão propostas ligadas ao crédito consignado e a chamada “Emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações em CDBs.
A investigação também aponta que, em contrapartida, Wagner teria sido beneficiado com vantagens indevidas. Entre os itens sob apuração estão um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, viagens em aeronaves privadas, ingressos para shows e pagamentos que, segundo os investigadores, teriam sido operacionalizados por meio de empresas ligadas ao entorno familiar do senador.
Em março deste ano, o Metrópoles revelou que a BK Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, Bonnie de Bonilha, recebeu cerca de R$ 11 milhões do Banco Master desde 2021. A empresa foi contratada para atuar na prospecção de operações de crédito consignado. A Polícia Federal investiga se parte desses recursos pode ter sido utilizada para mascarar repasses indevidos.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero cumpre 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, o STF determinou medidas cautelares, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre os investigados. Os fatos são apurados por suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner afirmou que jamais participou de qualquer negociação em favor do Banco Master e negou irregularidades.
A defesa
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, saiu em defesa de Wagner.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade”, afirmou Edinho, em nota divulgada pouco depois da operação.
Ainda segundo o presidente, “os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”.
“Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, finalizou o presidente do PT.
Em nota, a equipe de defesa de Augusto Lima declarou que as diligências realizadas pela PF nesta quinta (18) eram desnecessárias, “uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.”
Os advogados afirmaram, ainda, que Augusto sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.”
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES
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