A mudança ocorre por causa da formação do chamado amido resistente, um tipo de carboidrato que é digerido mais lentamente pelo organismo e se comporta de maneira semelhante às fibras alimentares.
O que acontece com o arroz depois de esfriar?
Durante o cozimento, o amido presente no arroz torna-se facilmente disponível para a digestão. No entanto, quando o alimento é levado à geladeira, parte desse amido passa por um processo natural conhecido como retrogradação.
Esse processo transforma uma parte do amido comum em amido resistente, que demora mais para ser quebrado pelo sistema digestivo. Como consequência, a glicose tende a entrar na corrente sanguínea de forma mais lenta, reduzindo o pico glicêmico após a refeição.
Embora a diferença não transforme o arroz em um alimento de baixo índice glicêmico, ela pode representar uma vantagem dentro de uma alimentação equilibrada.
O que mostrou o estudo
A pesquisa intitulada "Effect of cooling of cooked white rice on resistant starch content and glycemic response", publicada no periódico científico Asia Pacific Journal of Clinical Nutrition, analisou os efeitos do resfriamento do arroz branco cozido.
No estudo, o arroz foi mantido por 24 horas em refrigeração a 4°C e posteriormente reaquecido antes do consumo.
Os pesquisadores verificaram que o alimento apresentou uma quantidade maior de amido resistente quando comparado ao arroz recém-preparado.
Na etapa clínica da pesquisa, realizada com 15 adultos saudáveis, os participantes apresentaram uma resposta glicêmica menor após consumir o arroz resfriado e reaquecido em comparação com o arroz fresco.
Apesar dos resultados promissores, os próprios autores destacam que o estudo foi realizado com um grupo pequeno e que são necessárias novas pesquisas para confirmar os efeitos em diferentes populações.
O arroz requentado pode ser consumido sem preocupação?
Não.
Especialistas ressaltam que o benefício observado não significa que seja possível consumir grandes quantidades de arroz sem impacto na glicemia.
A quantidade ingerida continua sendo um fator importante, assim como a composição da refeição.
Para reduzir o aumento da glicose no sangue, recomenda-se:
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consumir porções moderadas de arroz;
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combinar o alimento com feijão, legumes e verduras, aumentando o teor de fibras;
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incluir proteínas como frango, peixe ou ovos;
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evitar excesso de refrigerantes, molhos açucarados e frituras, que podem reduzir os benefícios da refeição;
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pessoas com diabetes devem acompanhar sua resposta individual à alimentação.
Como armazenar o arroz corretamente
Além dos possíveis benefícios metabólicos, é fundamental armazenar o arroz de forma segura.
Quando o alimento permanece por muito tempo em temperatura ambiente, aumenta o risco de proliferação de bactérias, especialmente a Bacillus cereus, que pode produzir toxinas capazes de provocar intoxicação alimentar.
Para reduzir esse risco, a recomendação é:
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guardar o arroz na geladeira em até duas horas após o preparo;
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utilizar recipientes limpos e bem tampados;
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armazenar em porções menores para facilitar o resfriamento;
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manter refrigerado até o momento do consumo;
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reaquecer completamente antes de servir;
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descartar o alimento caso apresente odor, textura ou aparência alterados.
Quem deve ter mais atenção
Pessoas com diabetes, pré-diabetes, resistência à insulina ou que seguem um plano alimentar para perda de peso devem considerar o arroz apenas como parte do conjunto da alimentação.
Embora o arroz resfriado e reaquecido possa ser uma estratégia interessante para diminuir o pico de glicose, ele não substitui uma dieta equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento com profissionais de saúde.
Além disso, quem utiliza insulina ou medicamentos para controle da glicemia não deve fazer mudanças significativas na alimentação sem orientação médica, já que a resposta ao consumo de carboidratos pode variar de pessoa para pessoa.
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