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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
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Agora patrimônio cultural, pesca colaborativa com botos celebra relação rara entre espécies no litoral do RS: 'Viraram parte da família'

Tradição centenária ajuda na sobrevivência dos botos-de-Lahille, espécie em perigo de extinção. Estima-se que a população mundial é de cerca de 330 indivíduos, a maioria deles, no litoral Sul do país.

Agora patrimônio cultural, pesca colaborativa com botos celebra relação rara entre espécies no litoral do RS: 'Viraram parte da família'
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Uma tradição centenária do Litoral Norte do Rio Grande do Sul agora foi oficializada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial: é a pesca com botos, prática colaborativa entre humanos e animais da espécie Tursiops gephyreus no Sul do Brasil que é considerada uma forma rara de interação interespécies.

Uma tradição centenária do Litoral Norte do Rio Grande do Sul agora foi oficializada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial: é a pesca com botos, prática colaborativa entre humanos e animais da espécie Tursiops gephyreus no Sul do Brasil que é considerada uma forma rara de interação interespécies.

“A pesca cooperada deixou de acontecer em vários lugares do mundo e, aqui, ela vai continuar acontecendo. É uma herança que deixaremos aos nossos filhos.”

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Geraldona é a decana entre os botos

A decisão foi tomada no segundo dia da 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância deliberativa máxima do Iphan. A atividade foi inscrita no Livro dos Saberes, reconhecendo um conhecimento tradicional profundo, que revela a estreita relação que os pescadores do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul guardam com seu entorno natural.

Enquanto os pescadores se posicionam na barra que liga as praias de Imbé e Tramandaí, os botos começam, um a um, a aparecerem com suas barbatanas e dorsos cinzas, se lançando para o alto, indicando com precisão onde o cardume se encontra. Os pescadores, então, lançam redes e sarrafos exatamente no local indicado pelos animais, em um verdadeiro pacto colaborativo entre a espécie humana e a natureza.

Nos dias que “dá peixe”, principalmente quando há grandes concentrações de tainha, até 15 botos aparecem para a pescaria. Eles cooperam com os pescadores há tanto tempo, em uma parceria tão próxima e cotidiana, que recebem nomes.

A Geraldona é a decana da casa. Uma fêmea de boto-de-Lahille de mais de 40 anos que tem até família constituída, com os filhos, chamados Rubinha, Chiquinho e Furacão, e a neta, Esperança.

Fêmea de boto conhecida como Esperança coloca a cabeça para fora d'água — Foto: Maurino Ramos Francisco / Arquivo Pessoal

Fêmea de boto conhecida como Esperança coloca a cabeça para fora d'água — Foto: Maurino Ramos Francisco / Arquivo Pessoal

Não se sabe ao certo desde quando a pesca artesanal com botos acontece em corpos d’água gaúchos, mas estima-se que já seja uma tradição centenária entre os pescadores do Estado.

"Não sei responder exatamente há quanto tempo ocorre, mas os pais dos pescadores, que já eram pescadores, já pescavam na barra do rio Tramandaí com os botos. Então, essa prática já ocorre com certeza há mais de 100 anos aqui em Tramandaí", estima José Roberto.

“Hoje o Chiquinho vai achar umas tainhas para a gente”, comemora o pescador Maurino Ramos Francisco, que há 47 anos mora em Imbé e pesca em Tramandaí, sempre que o boto entra em ação. Ele relata uma relação semelhante à de amizade com os animais.

“Para nós, é muito show conviver com o boto a dois, três metros. O bicho é tão manso que fica ali do lado. Eu vejo eles todo dia, tanto que já viraram parte da família”, comenta.

Segundo ele, há uma relação de troca. O boto sinaliza para o pescador onde se concentram os cardumes, o pescador joga a tarrafa, e os animais conseguem capturar mais facilmente os peixes que acabam escapando solitários das redes.

“Isso vem de muitos anos. Meu pai era pescador antes de mim e eu gostava tanto que aprendi essa profissão. Agora (com o reconhecimento), isso vai ser mais divulgado. O boto agora é patrimônio e para alguém espantar um animal desse já fica mais difícil. Porque uns tentam salvar, já outros levam pra outro lado”, diz Maurino.

Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o risco de extinção dos botos-de-Lahille – a espécie envolvida na pesca colaborativa com os pescadores da região – de vulnerável para em perigo de extinção. Estima-se que a população mundial total desses animais é de cerca de 330 indivíduos, a maioria deles, no litoral Sul do país.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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