Alimentos, medicamentos e energia elétrica impulsionaram alta de preços entre os brasileiros de menor renda
O abismo entre o impacto da inflação sobre diferentes classes sociais ficou evidente em abril. Enquanto as famílias com renda muito baixa enfrentaram uma taxa de 0,92%, os consumidores de renda alta registraram variação de apenas 0,24%, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O índice dos mais pobres foi quase o quádruplo do apurado para os mais ricos.
O que explica a disparidade entre as faixas de renda
O cálculo do Ipea utiliza como base os dados do IPCA, indicador oficial de preços divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A diferença nos resultados ocorre porque os pesos dos bens e serviços são ajustados conforme as cestas de consumo de cada grupo social, refletindo realidades distintas de gasto.
“Embora a inflação dos alimentos tenha desacelerado de um mês para o outro, ainda teve uma variação significativa. Então, gerou uma contribuição forte para a inflação das famílias mais pobres”, diz Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Ipea.
Alimentos seguem como principal vilão do orçamento popular
Os alimentos consumidos nos domicílios subiram 1,64% em abril, ritmo menor do que os 1,94% de março, mas ainda assim expressivo. A carestia da comida atinge todas as faixas de renda, porém seu efeito é desproporcional sobre os mais pobres, que destinam parcela maior do orçamento a itens básicos do cotidiano.
“À medida que a faixa de renda vai avançando, o peso dos alimentos vai ficando menor”, acrescenta Maria Andreia.
Além da comida, a aceleração nos preços da energia elétrica (0,72%) e dos produtos farmacêuticos (1,77%) também pesou sobre a cesta das famílias de menor rendimento.
Ricos foram beneficiados por passagens aéreas e transporte por aplicativo
Na direção oposta, itens que compõem com maior peso a cesta dos mais ricos apresentaram queda ou alta moderada. Passagens aéreas recuaram 14,45%, transporte por aplicativo caiu 2,17%, e tarifas de ônibus urbano baixaram 1,13%. Combustíveis tiveram alta contida de 1,8%.
“A renda mais alta, além de sofrer relativamente menos com alimentos e energia, ainda foi beneficiada pelos preços de passagens aéreas e transporte por aplicativo”, afirma Maria Andreia.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Imagem Ilustrativa
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