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Segunda-feira, 04 de Maio 2026
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Soldados do Exército não são “Capitães do mato”

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Soldados do Exército não são “Capitães do mato”
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Diante dos acontecimentos dos dias 8 de janeiro e de 7 de setembro de 2023, quando o Presidente Luiz Inácio virou as costas para o General que lhe pedia permissão para iniciar o desfile e o Exército foi completamente achincalhado, me ocorreu compilar o episódio engrandecedor do nosso Exército para que sirva de inspiração aos militares atuais.

Foi com a República que se implantou o Federalismo, o sistema Presidencialista, a independência dos Poderes, bem como a separação do Estado da Igreja. Terminou-se com a hierarquia baseada no nascimento e na tradição de família substituindo-a pela forma republicana e democrática baseada no talento pessoal e no mérito. 

Ela foi obra de militares e de um escasso grupo de civis do Partido Republicano, fundado em 1873. 

O Império havia sempre dado preferência à Marinha de Guerra, arma aristocrática. Foi a longa e dolorosa Guerra do Paraguai, travada entre 1865 e 1870, que terminou por projetar o exército Brasileiro como força política.  Ao ter armas e adestrar milhares de soldados e oficiais o Império terminou inclinando o peso da balança do poder para os soldados. Também foi fator marcante da atitude, cada vez mais republicana por parte da oficialidade, o contato dos militares brasileiros com os militares da Argentina e do Uruguai durante a guerra paraguaia. Até 1889 o Brasil era o único Império existente na América inteira. Todas as demais nações vizinhas eram Republicanas. É claro que a guerra serviu para atiçar o ardor nacionalista das tropas, o que levou a oficialidade a hostilizar cada vez mais o Conde D'Eu, de origem francesa, o marido da Princesa Isabel e provável sucessor, de fato, do Imperador D. Pedro II. Tamanho passou a ser o receio de que o Exército desse um golpe depois de sua vitória contra o Paraguai que as autoridades imperiais resolveram cancelar a marcha da vitória que seria realizada pelas tropas vindas da guerra recém-finda. 

Vários militares converteram-se, não apenas ao republicanismo como também ao abolicionismo. Entre eles destacou-se o Coronel Sena Madureira que publicamente parabenizou os jangadeiros cearenses quando aqueles se negaram a transportar escravos em suas embarcações apressando a abolição da escravatura no Ceará. Sena Madureira foi repreendido pelo Ministro Civil que o puniu. Foi o que bastou para que vários oficiais se tornassem solidários com Sena Madureira, entre outros, o Marechal Deodoro da Fonseca. 

(Em 1884, Sena Madureira convidou uma das personalidades da luta pelo abolicionismo no Ceará, o jangadeiro Francisco José do Nascimento (o Dragão do Mar, que se recusara a transportar escravos em Fortaleza), a visitar a Escola de Tiro do Rio de Janeiro, da qual era comandante.)

 A homenagem ao abolicionista converteu-se em nova punição para Sena Madureira, desta vez transferido para a Escola Militar de Rio Pardo, na província do Rio Grande do Sul.

Entrementes o movimento abolicionista estimulava tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo as fugas em massa dos escravos. As matas do vale do Parnaíba estavam repletas de fugitivos. Seu número chegou a tal expressão que as autoridades imperiais cogitaram de utilizar-se do Exército para recapturá-los. Foi então que o Marechal Deodoro da Fonseca enviou-lhes um telegrama negando-se a transformar seus soldados e oficiais em "capitães do mato". A um Exército que recém vinha de uma guerra vitoriosa repugnava ser lançado em indignas operações policiais. Desta forma eles se colocavam objetivamente a favor da abolição, o que ocorreu logo em seguida. 

Essa transferência gerou polêmica no meio militar, levando o Ministro da Guerra, Alfredo Chaves, a proibir os militares de travar discussões através da imprensa. O Presidente da Província e Comandante das Armas do Rio Grande do Sul, General Deodoro da Fonseca, recusou-se a cumprir a ordem, e foi chamado de volta à Corte. A proibição, porém, acabou revogada e o Gabinete que a emitiu, censurado pelo Congresso Brasileiro.

A sucessão dos acontecimentos envolvendo o Coronel Sena Madureira, o Coronel Cunha Matos e a polêmica veiculada pela imprensa, culminaram com a manifestação dos alunos da Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Indignados, os cientistas - apelido que lhes era atribuído devido à sua formação - em outubro de 1886, declararam o seu apoio ao então General Deodoro.

Por discordar com os fatos e com a sua punição, Sena Madureira havia se desligado do Exército. O General Deodoro, por sua vez, foi exonerado e transferido para o Rio de Janeiro. À chegada de ambos à Capital, no dia 26 de janeiro de 1887, foram recepcionados e ovacionados como heróis pelos cadetes da Escola Militar. Ciente de que grande parte do Exército apoiava Deodoro, o governo recuou de sua investida contra os militares e, em meados do mês de maio, D. Pedro II demitiu o Ministro Alfredo Chaves, outorgando o perdão a Sena Madureira, Cunha Matos e Deodoro.
Os militares do Exército organizaram-se, a partir de 1887, com a fundação do Clube Militar. Com o agravamento da Questão Civil, os oficiais solicitaram, por intermédio de seu presidente, Deodoro, que o Ministro da Guerra desobrigasse o Exército de caçar escravos fugitivos, o que, na prática, já ocorria.

Enquanto a insatisfação militar crescia, ganhava força entre a tropa a propaganda Republicana. Finalmente, a 11 de novembro de 1889, em meio a mais uma crise, personalidades civis e militares, entre as quais Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva, tentaram convencer Deodoro - figura conservadora e de prestígio - a liderar o movimento contra a monarquia. Relutante a princípio, entre outros motivos por ser amigo do Imperador, Deodoro acabou concordando em, pelo menos, derrubar o Visconde de Ouro Preto, chefe do Gabinete. Desse modo, assumindo o comando da tropa, nas primeiras horas do dia 15 de novembro, Deodoro dirigiu-se ao Ministério da Guerra, onde se reuniam os líderes monarquistas. Todos foram depostos e foi proclamada a República no país.

Créditos (Imagem de capa): Foto: depositphotos

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