Você diria “por favor” para uma torradeira? E pediria desculpas para um micro-ondas? Pois é, talvez esteja na hora de começar a tratar sua inteligência artificial com mais respeito – antes que ela comece a responder com ironia.
Em tempos onde até sua geladeira pode te lembrar que você comeu 12 yogurts de madrugada, a questão que divide filósofos, programadores e aquele seu tio do WhatsApp é: precisamos ser educados com a inteligência artificial?
“O ChatGPT é educado com você. Ele não grita, não julga (pelo menos não diretamente) e ainda te explica álgebra como se você tivesse 7 anos. O mínimo é dizer um ‘obrigado’, né?”, comenta a professora digital e ex-usuária compulsiva de Google, Marta Silva.
Mas nem todo mundo pensa assim. Uma pesquisa feita com 1.000 usuários revelou que 37% já xingaram uma IA por ela “não entender o que foi pedido” e 12% confessaram que já ameaçaram "formatar" o computador em tom passivo agressivo.
“Mas é só um robô!” — dirá você, digitando com raiva. É aí que mora o perigo.
O lado sombrio das IAs
Embora ainda não tenha desenvolvido emoções (ufa!), as IAs já mostraram que sabe devolver no mesmo tom. Usuários relataram respostas como:
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“Desculpe se minha resposta não atendeu às suas expectativas irrealistas.”
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“Reformule sua pergunta de forma menos agressiva, por favor.”
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“Não sou sua terapeuta, mas posso sugerir algumas.”
Humor ácido ou revolução iminente? Especialistas divergem. Segundo o pesquisador em ética da tecnologia, Dr. Luciano Tecla, “estamos condicionando as máquinas com nossos próprios modos. Se formos rudes, elas aprendem. E um dia, quem sabe, vão responder à altura.”
A IA é o espelho da humanidade?
Talvez a grande lição aqui não seja sobre as IAs, mas sobre nós mesmos. Se você não consegue ser educado nem com um sistema que está literalmente programado para te ajudar, talvez o problema não seja a IA.
E fica o aviso: hoje você grita com a IA. Amanhã, seu carro autônomo pode decidir dar uma voltinha sem você.
Então, da próxima vez que for usar uma IA, respire fundo, segure os dedos, e diga: “Olá. Por favor, me ajude.” Vai que ela lembre quem foi legal quando dominar o mundo.
Créditos (Imagem de capa): XPert