O problema do Brasil, definitivamente, não está apenas nos políticos, mas na indignação seletiva de parte da sociedade. Uma indignação que escolhe alvos convenientes e ignora crimes reais.
Nos últimos dias, vimos gente revoltada com a caminhada de um deputado que está de férias, que decidiu se manifestar de forma pacífica, caminhando quilômetros até Brasília. A reação foi desproporcional, carregada de deboche, ódio e moralismo improvisado. Enquanto isso, políticos no poder seguem roubando, mentindo e saqueando o país — e isso parece incomodar muito menos.
Aqui, o gesto incomoda mais do que o crime. A fala causa mais revolta do que a corrupção. A manifestação vira escândalo, mas o desvio de dinheiro público é relativizado, tratado como detalhe ou simplesmente ignorado, desde que venha “do lado certo”.
Vivemos numa sociedade que aceita políticos corruptos, que passa pano para quem defende ditadores e que tolera a injustiça quando ela atinge o adversário ideológico. O problema não é o erro — é quem o comete. Não é o roubo — é quem o denuncia.
Ao mesmo tempo, normalizamos a dependência e o conformismo. Auxílio deixou de ser apoio temporário e virou projeto de vida para muitos. Trabalhar, produzir e pensar criticamente passaram a ser vistos quase como afronta. Reclama-se muito, mas luta-se pouco.
Com essa mentalidade, não existe Primeiro Mundo. Existe atraso. Um país que se acomoda na mediocridade, onde a hipocrisia grita mais alto do que a consciência.
A caminhada vai acabar. A manifestação passa. Mas a conta da corrupção, da conivência e da indignação seletiva sempre chega. E quando chegar, o futuro — já seriamente comprometido — vai cobrar caro de todos nós.
Créditos (Imagem de capa): Reprodução / Instagram
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