Foram várias as vezes que, durante a república brasileira, as Forças Armadas intervieram para mediar conflitos e ter que decidir como ficaria a ocupação do cargo de Presidente da República.
As mais conhecidas, que citarei aqui, foram as seguintes:
i) a acontecida no fim da República Velha (chamada de “Primeira República”), em 1930, com a crise oriunda da eleição do paulista Julio Prestes. A ação militar levou à chegada ao poder de Getúlio Vargas e o início do Estado Novo (dividido em “Segunda e Terceira República”);
ii) a acontecida no fim da República Populista (“Quarta República”), em 1964, quando a crise provocada pelo presidente João Goulart levou à sua deposição pelo Congresso Nacional, com a eleição do Marechal Castello Branco para um “mandato-tampão” de dois anos, até serem realizadas novas eleições. As novas eleições não ocorreram porque o “mandato-tampão” foi prorrogado e o Brasil ingressou na Quinta República, o regime militar, que durou até 1985.
As Forças Armadas no Brasil sempre participaram da política, desde a época do Império. Relativamente à República, elas são a sua fiadora e garantidora, porque foram elas quem a criaram no país, quando militares (do exército, diga-se de passagem) derrubaram o Império, em novembro de 1889.
Portanto, essa história de que militares não participam da política é balela. É mais uma narrativa criada pela esquerda, que morre de medo de que eles, militares, cumpram o papel que sempre cumpriram na república.
Os militares se sentem os “pais” da República. Eles sabem que seu papel é garantir o bom funcionamento das instituições. Eles são de fato o “poder moderador”, o árbitro dos outros 3 poderes.
É cultural, é a tradição do Brasil, é o DNA da nossa república.
Talvez estejamos a presenciar em tempo real mais uma dessas ações, já ocorridas outras vezes em nossa história, que colocará fim a mais uma fase republicana e inaugurará outra.
Créditos (Imagem de capa): IMAGEM: ‘Proclamação da República’, Benedito Calixto, 1893