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Segunda-feira, 04 de Maio 2026
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OLAVO DE CARVALHO

Memórias & Retalhos dum Eco Inteligente e Não Replicante™

OLAVO DE CARVALHO
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Olavo Luiz Pimentel de Carvalho foi um professor, filósofo, escritor, ensaísta e jornalista.

Autor profícuo, escreveu mais de 40 livros, mais de 44 cursos, dezenas de milhares de páginas em apostilas e artigos, protagonizou um filme e, durante 14 anos, ministrou, semanalmente, seu Curso Online de Filosofia, o COF – contabilizando mais de 570 aulas.
Nasceu em Campinas, São Paulo, a 29 de abril de 1947. Faleceu aos 74 anos, no dia 24 de janeiro de 2022, na região de Richmond, na Virgínia, deixando sua esposa, Roxane de Carvalho, oito filhos e 18 netos.

Olavo teve sua formação filosófica a partir de seus estudos como autodidata – sim, como AUTODIDATA! Ainda jovem buscou o conhecimento por conta própria. Não se viu dependente do conteúdo escolar passado pelos professores regulares das instituições. Aprendeu sozinho na companhia dos livros e também por meio de conversas com outros intelectuais brasileiros com quem foi mantendo contato ao longo da sua biografia.

Em 1966, com apenas 19 anos, filiou-se ao Partido Comunista devido ao seu interesse precoce por política – a tal da aficionada gonorreia mental que a quase todos acomete nos verdes e inconsequentes anos, e que, a quase todos, tem deixado marcas e miasmas indeléveis…

Em 1968, aos 21, abandonou tal filiação e, já durante o Regime Militar, se mostraria um férreo opositor. Perceberia, às tantas, que o socialismo é um ardiloso e falacioso engodo dialético ao serviço da plutocracia. E foi graças a esse entendimento e transmissão àqueles que se predispuseram a lê-lo e a escutá-lo que uma ala considerável de almas (na qual me incluo) conseguiu sair da caverna…

O que o levou a entender toda a macabra piada não fora, ainda, nenhuma razão política, pois que a revolucionária manigância à escala global ainda gatinhava nos bastidores, mas sim a escancarada má conduta moral das pessoas desses ambientes que já ululava e saltava à vista dos mais atentos e circunspectos…

Durante a década de 80, trabalhou para várias revistas. Eram revistas de administração pública e privada, de economia, política e temas variados. Em algumas entrevistas relatou que aceitava o trabalho que aparecia para se sustentar a si e à família. Chegou a ser, inclusive, freelancer da Abril e O Globo antes de se dedicar a tempo integral, e de forma sui generis, ao magistério e à literacia.

E foi assim que se viria a transformar num filósofo em sua essência e na sua máxima expressão, numa frenética busca pela verdade maior e pela real verdade dos fatos.

A máxima que melhor viria a resumir sua filosofia foi:

Filosofia é a unidade do conhecimento na unidade da consciência”.

Estudou diversas filosofias, ciências e religiões, vivenciou o esoterismo proposto por Frithjof Schuon – autor crente da fé muçulmana, aprofundou-se, portanto, no islamismo, tendo feito, inclusive, uma biografia de Maomé que lhe viria a render o prêmio mais elevado do governo da Arábia Saudita, em 1986. Mas na continuação de seus estudos introspectivos decidiu deixar de lado tais vivências esotéricas passando a afirmar, já convicto, de apenas existir uma verdade maior:

A Verdade Crística…

O panteão dos escritores e dos intelectuais reúne gigantes e anões. É na garupa daqueles que estes podem vislumbrar coisas impossibilitadas de ver por suas estaturas (cognitivas, intelectivas e / ou morais, leia-se). Os gigantes, enquanto tais, se assemelham a desbravadores abrindo sendas nas selvas a fim de outros trilharem caminhos antes não percorridos. Gigantes intelectuais não proliferam, nem  são frequentes, por isso devemos admirá-los, estudá-los, auscultá-los, perscrutá-los e agradecê-los, pois nos fazem transcender da miopia mental (que nos faz ver bem ao perto das superfícies, mas mal ao longe e em profundidade) a fim de enxergarmos o que nossa limitativa mediocridade impossibilita.

Sua obra ultrapassa, pois, os limites das paixões, opiniões e / ou modismos que normalmente nos aprisionam. Pode-se dizer que ele foi, e é, uma surpresa intelectual, um verdadeiro milagre, pela mesma razão de estarmos imersos e acostumados às mediocridades culturais rotineiras que são incapazes de gerá-lo. Inegável dizer que sua atividade educativa e filosófica soergueu a qualidade investigativa racional e abriu brechas nas discussões e pensamentos há muito cristalizados e mofados. Nisso, portanto, foi um autêntico autor de nosso tempo, pois que em vista de nossa condição “cativa”, ele sacudiu o hábito no qual nos havíamos acostumado ante o invernoso e sombrio território educacional instaurado por este mundo afora.

Dotado de inteligência viva, sagaz e de prodigiosa memória, Olavo possuía um conhecimento vastíssimo sobre quase tudo o que constitui o saber humano. Seu processo formativo percorreu as tais etapas de autodidatismo, disciplina de estudo, leitura e investigação extraordinárias. Buscou lugares onde pudesse encontrar conhecimento e sabedoria. Quem o ajudou inicialmente não foram as universidades, mas o padre Stanislavs Ladusãns, nascido na Letônia, membro da Academia Brasileira de Letras, que ministrava cursos livres de filosofia no Rio de Janeiro. As personalidades humanas normalmente se enchem mais de sabedoria e ciência, não em espaços e lugares de algazarra e publicidade, mas no recôndito silêncio da própria cela ou casa…

Olavo discorria com desenvoltura e segurança sobre quase todas as áreas do conhecimento humano. Abordava temas, prolixos ou não, relacionados à literatura, à ética, à filosofia, à religião, às ciências em geral, à história, à teologia, ao cinema, às artes e à estética, à política, à economia, à psicologia, aos problemas relacionados à ordem / geopolítica mundial, a autores vivos ou mortos do cenário contemporâneo, etc… Nem mesmo em grandes autores da história da filosofia encontraremos tanta lucidez e síntese compreensiva para entender o pensamento dos filósofos mais representativos de cada período quanto encontramos nas preleções apresentadas por Olavo em sua História Essencial da Filosofia e em outros seus textos relacionados a ela.

Olavo também esmiuçou, sobretudo dos modernos e contemporâneos, um quadro de contradições e enganos que muitas das doutrinas daqueles autores contêm. Ousou, sem medo, denunciar vigarices e charlatanices de pensadores e / ou filósofos consagrados como: R. Descartes, Lutero, Hobbes, Maquiavel, Rousseau, Kant, Hegel, Darwin, Newton, Marx, F. Engels, Freud, Augusto Comte, Antônio Gramsci, M. Foucault, Heidegger, todos os membros da escola de Frankfurt (Lukács, Marcuse, Horkheimer, Adorno, Habermas, E. Fromm), Wittgesntein, Derrida, Deleuze, Sartre, Noam Chomsky, Richard Dawkins e muitos outros.

Na atualidade tornou-se o maior estudioso e intérprete do marxismo, pois dedicou particularmente parte de sua vida para ler e analisar a obra completa de Marx, de Lenine e de todos os seus principais asseclas. Sua maior, mais contundente e mais impactante provocação, entre nós, entretanto, foi a denúncia pública do estado medíocre e apodrecido com que a vida intelectual brasileira (e mundial) se encontra tanto no interior das universidades quanto nas fontes editoriais e nos seminários de formação teológica e filosófica de muitas de nossas instituições eclesiais.

Ninguém sabia ou tinha noção do quadro doloroso em que vivíamos em nossa vida cultural e formativa. Seu foguete demolidor dirigiu-se ao quão envergado e deprimente ficou o quadro de nossas universidades, de nossas escolas, de nossos meios editoriais, de nossos jornais e meios de comunicação, quase totalmente contaminados de marxismo e progressismo, e, sobretudo, de desonestidades intelectuais atrozes. Nem mesmo a teologia ficou livre de tal imbróglio cancerígeno. Impregnada da “teoria da libertação”, germinada pelos jesuítas no seio do próprio Vaticano, em meados dos anos 60, tal ideologia penetrou de forma inapelável na alma dos seminaristas, futuros prelados e bispos.

Em razão do seu ímpar labor como escritor e professor, pudemos, por meio do seu estímulo e vigor, ter acesso a obras antes sequer mencionadas nos meios editoriais e universitários. Passamos, pois, a ter a chance de ler autores como Eric Voegelin, Mortimer Adler, Russel Kirk, Roger Scruton, Leopol Szondi, Nortrop Frye, Bernanos, Newman, I. Conrad, Victor Frankl, Andrew Lobaczewski, René Girard, Thomas Sowell, Xavier Zubiri, A. D. Sertillanges, Chesterton, Theodore Dalrymple, Louis Lavelle, B. Lonergan, Mário Ferreira dos Santos, Otto Maria Carpeaux, Vicente Ferreira dos Santos, Ângelo Monteiro, Meira Penna, Gustavo Corção, Leo Strauss e muitíssimos outros.

Em seus cursos Olavo chamou-nos a atenção para o valor atualizado da filosofia encontrada nas obras de Aristóteles, Platão, Agostinho, Tomás de Aquino, S. Boaventura, Duns Scot, Husserl, Leibniz, Schelling (e outros muitos), dos grandes autores da literatura e historiadores (como Walter Scott), escritores contemporâneos e modernos, sejam eles do Brasil ou do mundo. E aí passamos a perceber que, à escala global, a sociedade está fechada à vastíssima obra de valiosos escritores simplesmente desconsiderados porque não eram, nem são “de esquerda”...

Segundo ele o pensamento brasileiro e mundial contaminou-se de “atraiçoamento”, isto é, da emoção política que penetrou a mente de nossos intelectuais e deu vazão ao “leimotiv” estampado na filosofia de Marx: “o mundo não é para ser conhecido e contemplado, mas, antes, para ser transformado. Assim, o terreno das ciências deixou de ser laboratório de pesquisas e de conhecimentos para se tornar um campo de batalha política. Nossa vida educacional foi engolida pela ansiedade primária de “transformação” do mundo social, político, cultural, econômico e religioso”.

Passamos a estar, de fato, encharcados de “anseios revolucionários” – a danação autofágica… Por causa disso, segundo Olavo:não há mais, entre nós, possibilidades de debates intelectuais honestos e científicos já que as paixões embotaram e distorceram nossa razoável racionalidade, terminando por prevalecer sobre a objetividade dos fatos e resultados. As discussões ligadas à política, estreitamente ligada à sua militância, se locupletaram e substituíram-se à busca honesta, livre e amorosa pelo saber. Tal é a tragédia que se abateu sobre a educação brasileira e mundial, sobre nossas universidades, sobre nosso mundo político, religioso e intelectual…

Se o conteúdo central do trabalho de Olavo era a afirmação da unidade do conhecimento na unidade da consciência, resulta que esse princípio unitário essencial é a condição sem a qual seríamos ou estaríamos desintegrados de nós mesmos e do mundo em que habitamos. E é precisamente o que ocorre com a maioria dos gentios.

A desintegração de nosso ser, portanto, começou na ausência da verdadeira percepção de nosso eu e da realidade na qual ele está inserido. Em outras palavras, toda vez que elaborarmos conhecimentos, doutrinas ou ideias nas quais nós mesmos não estivermos dentro delas, significa então que nos colocamos fora da própria doutrina que geramos e, dessa forma, instauramos em nossa atividade intelectual aquilo que Olavo designou de paralaxe cognitiva, isto é, um conhecimento ou filosofia ficcional que conduz o próprio pensador que a produz (e seus discípulos, por consequência), à esquizofrenia de si mesmo, à dissonância, ao histerismo, à estupidez, ao fanatismo e à sociopatia…

O que poderá salvar nossas mentes das loucas ficções é sempre o esforço honesto e sincero de retorno à observação do mundo real das coisas e do nosso eu. A nossa inteligência é que se alimenta do ser e não o inverso. Todos os idealismos são ficcionais e terminam por levar seus condutores e protagonistas a tentativas de forçosa e violenta implementação dos mesmos em qualquer sociedade que se preze. As experiências passadas, presentes e futuras mostram (e mostrarão) que tais idealismos conduziram (e conduzirão) seus agentes e vítimas a experiências tristes, terríveis e chocantes que os totalitarismos históricos do último século tão bem testemunharam.

Vinculada à grande tradição metafísica a filosofia de Olavo de Carvalho guarda pilares da sabedoria que outrora já fora cultivada e buscada pelos gregos, e perpetuada na grande herança cristã. Seus textos e preleções contêm aqueles valores e princípios que sustentaram as nobres e grandes civilizações. Um outro gigante – Agostinho – iniciou suas Confissões com a célebre frase referindo-se a Deus: “Fecisti nos ad te e inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te“. Traduzida significa: “Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração enquanto não descansar em Ti”. A afirmação de Agostinho é que Deus não nos fez para o abismo intragável e niilista, mas para estarmos com Ele. Que nossa origem será, portanto, também nosso destino. Carregamos em nossa alma a fonte de nossa origem, por isso sabemos qual será nosso destino. Olavo tinha consciência de sua origem e sabia do seu destino. Numa dada entrevista disse: “não temer a morte, pois que iria ao encontro de Cristo”…

Certa vez decidiu fazer revelações sobre si mesmo em autodefinição: “Direi, em suma, o que vocês querem saber, que não é necessariamente o que vocês querem ouvir. Infelizmente, não posso me definir com uma só palavra, como seria do gosto de tantos, pela simples razão de que não acredito haver algum conceito abrangente capaz de juntar, numa só unidade compacta, as diferentes atitudes e opiniões de um indivíduo ante os diversos setores da vida. O tipo assim descrito teria a coerência em bloco de uma caricatura, de um arquétipo platônico, mas nada teria de um ser humano. Toda fórmula ideológica pessoal compõe-se de um amálgama de preferências e repulsas variadas, umas referentes à política, outras à moral, outras à religião, outras à vida econômica e assim por diante. Esses vários elementos não formam quase nunca uma unidade coerente, embora tendam à coerência como numa assíntota, aproximando-se dela sem jamais alcançá-la. Tal esforço de coerenciação denomina-se, precisamente, filosofia, uma atividade que, pela própria natureza, é inconstante e sempre inacabada. Não podendo, portanto, me definir com um termo unívoco, limito-me a dar uma lista dos vários elementos que compõem, como podem, minha ideologia pessoal. Em economia, sou francamente liberal. Acho que a economia de mercado não só é eficaz, mas é intrinsecamente boa do ponto de vista moral, e que a concorrência é saudável para todos. Há dois tipos de pessoas que não gostam da concorrência: os comunistas e os monopolistas (as crias e os criadores – grifo meu!). Às vezes é difícil distingui-los. Como liberal sou contra o socialismo e contra toda forma de Estado corporativo, seja de estilo mussoliniano, seja católico. O Estado existe apenas para impedir que os concorrentes se comam vivos, para assegurar as condições logísticas da prática do liberalismo e para, ast not leastamparar in extremis quem não tenha a mínima condição de concorrer no mercado. Em religião, sou tradicionalista e conservador. Não, não sou eu que sou assim. Religião é tradição e conservação. Em moral, sou anarquista. Acredito que há princípios morais universais, permanentes, que a inteligência discerne por baixo da variação acidental das normas e costumes, e acredito, enfim, que há o certo e o errado. Mas, por isso mesmo, impor o certo é errado, a não ser em caso de vida ou morte. O sujeito que faz o certo só por obediência e sem compreendê-lo acaba por transformá-lo no errado. “Experimentai de tudo e ficai com o que é bom”, recomendava S. Paulo Apóstolo, meu amado guru. É uma questão de viver e aprender. Mas como podemos aprender, se um tirano paternalista nos proíbe de errar? Por isto deve haver a mais ampla liberdade de escolha e de conduta, e a autoridade religiosa deve se limitar a ensinar o certo, com toda a paciência, sem tentar expulsar o pecado do mundo à força. E se nem os religiosos, que por sua dedicação à vida interior têm autoridade para falar dessas coisas, devem impor regras morais à força, muito menos deve fazê-lo o Estado, que afinal não passa de uma gerência administrativa, a coisa mais mundana e prosaica que existe. As leis devem fundar-se apenas em considerações práticas de ordem, segurança e interesse coletivo, muito corriqueiras, e jamais em motivos pretensamente elevados de ética, que terminam por fazer da burocracia estatal um novo clero, e do Código Penal um novo Decálogo. A coisa mais nojenta que existe é a metafísica estatal. Em educação sou mais anarquista ainda: não acredito em ensino obrigatório do que quer que seja e noto que a expansão hipertrófica do sistema de ensino, público ou privado, só cria novas formas de analfabetismo. Acho que a educação deveria ser livre, que cada um deve buscá-la na medida de suas necessidades, e considero uma monstruosidade totalitária que, após proclamá-la um direito, o Estado moderno faça dela um direito obrigatório. Acho aliás que o mesmo se dá com muitos outros “direitos”, que você acaba exercendo a muque ou sob pena de prisão. Era um absurdo que as mulheres não pudessem trabalhar, mas é um absurdo maior ainda que, obrigadas a trabalhar, não possam ficar em casa para criar seus filhos. Complementarmente, é um crime que se obrigue uma criança a fazer trabalho de adulto, mas é um crime maior ainda que ela seja impedida de ganhar seu próprio dinheiro, fazendo, se quiser, um trabalho que esteja à altura de suas capacidades e que, no fim, há de educá-la muito mais do que qualquer escola. Em filosofia, sou realista, meus gurus sendo Aristóteles, Sto. Tomás, Leibniz, Husserl e Xavier Zubiri, todos os quais afirmam o poder humano de conhecer as coisas como são. Husserl e Zubiri, no meu entender, foram os únicos filósofos realmente grandes deste século, e perto deles um Foucault ou um Deleuze são apenas meninos de escola. Acho que marxismo, estruturalismo, desconstrucionismo, psicanálise, neo-relativismo, neopositivismo, etc..., são filosofias boas para analfabetos funcionais e portanto atendem a uma autêntica necessidade social criada pela rápida expansão do ensino universitário, onde é preciso fabricar professores cada vez mais rápido e cada vez mais barato. Em todos os domínios e circunstâncias, sou contra o governo mundial. Ninguém deve governar o mundo, senão Deus. A ONU, a Unesco, o Banco Mundial, as grandes corporações multinacionais, a Internacional Socialista e todas as entidades do gênero são para mim a encarnação mesma da megalomania e do desejo ilimitado de poder. Isso não quer dizer que os Estados nacionais sejam anjinhos, pois, como já informava a Bíblia, “os anjos das nações são demônios”. Quer dizer apenas que o chefe mundial dos demônios é muito pior do que todos eles somados. Que as pessoas acostumadas a identificar globalização e liberalismo não vejam aí contradição alguma. A unificação política e administrativa do mundo não beneficiará o liberalismo, mas o extinguirá para sempre, instituindo a “Terceira Via”. Que é a Terceira Via? É aquela síntese de capitalismo e socialismo que, resguardando a liberdade de movimento para as grandes empresas que apoiam o governo, planeja, controla e determina tudo o mais. Essa síntese não é nova. Surgiu na década de 20 e se chama fascismo. Naquela época o fascismo era coisa de escala nacional. Hoje querem fazer um fascismo mundial. Para enfrentar o governo mundial é preciso criar um nacionalismo, liberal, democrático, inteligente, capaz de tomar parte no jogo da globalização sem deixar que transformem nosso país numa província ou numa colônia de férias para turistas sexuais. E para isso é preciso resistir ao maquiavélico jogo duplo que, de um lado, exaltando falsamente o liberalismo, tudo submete a um planejamento global e, de outro, incentivando maliciosamente reivindicações socialistas malucas e toda sorte de ressentimentos doentios, divide o povo, desorienta os intelectuais, debilita o Estado brasileiro e nos deixa, a todos, à mercê do poder multinacional”.

Já numa definição idiossincrática por parte deste subscritor direi, por fim, que Olavo foi um Super-Mestre na arte de filosofar, nas lides intelectuais e no saber como um todo, cuja sapiência e lucidez fez completar em mim um majestoso puzzle – todo ele clarividência sobre tudo o que diga respeito ao enredo humano e civilizacional – puzzle, esse, no qual eu só possuía as peças, peças, essas, quase todas soltas e desagregadas (o estágio em que se encontra uma pequena parte da falange, sendo que a outra parte – a mais expressiva – nem sequer as peças possui…), quais espartilhadas questões sem resposta ou de explicação nada convincente, de informações contraditórias, ardilosas narrativas, todo o tipo de encenações, planejadas tragédias com danos colaterais mil e embusteiros construtos nas mais diversas áreas do saber e vãs filosofias.

O pensador em apreço não foi, somente, detentor de uma inabarcável erudição. Foi, quiçá, o maior pensador contemporâneo e um dos maiores de todos os tempos.

Uma sumidade!

Uma obra cujo conjunto e tônica passou, passa e passará (tal o tamanho dela) pela intransigente defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, num vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual.

Ter contato com tal magnitude intelectual, caríssimos, foi como passar a andar sentado nos ombros do tal já citado gigante com um estetoscópio cognitivo de largo espectro capaz de fazer a lúcida leitura de todas as cadências, ritmos e sons que orquestram e plasmam toda e qualquer componente da humana sociedade.

Sem o contato com sua obra, seus ensinamentos e deslinde (junto com alguns outros mestres & maestrinas) jamais o meu despretensioso e autoral acervo literário teria existido.

E o mais espantoso – e falo-o com propriedade e conhecimento de causa, pois que em todo o meu percurso escolar em Portugal, a partir do colegial, e, sobretudo, universitário, ancorado na escolástica filosófica, em momento algum, ouvi falar, foi citado ou tomei conhecimento de sua existência e obra –, o mais espantoso, dizia-vos, é que Olavo de Carvalho só é conhecido no Brasil e talvez nalguns círculos da Roménia e EUA, países onde trabalhou e residiu, respectivamente.

Sabem por quê?

Porque foi (e continua a ser), em seu país natal, o intelectual mais atacado, ostracizado, ridicularizado e aquele cuja reputação foi (e é), hediondamente, a mais assassinada.

Por quê²?

Porque pôs a nu todo um status quo, todo um regime e um establishment não só tupiniquim, mundial mesmo, seja no espectro da fétida podridão político-ideológica, seja na idiotização e emburrecimento massivo do ambiente cultural em geral, expondo as verdades mais elementares e nos ofertando, mastigado e digerido, o pleno entendimento acerca das tramas em que tais pantanosas realidades se fundam e assentam.

As metástases repercutem aqui, mas a matriz cancerígena, sua causa e origem vocês (os poucos, mas bons que me acompanham) já estarão em condições de saber donde vem, não é verdade?

E assim se vai descartando e banindo um patrimônio mundial da cultural inestimável, incomensurável e não catalogável para que nada, rigorosamente nada mude e nada possa ser alterado…

No primeiro parágrafo desta extensa coluna – desculpai, mas não poderia ser de outra forma – fizemos referência aos 40 livros escritos por Olavo.

Se lerdes, desses 40, “A Nova Era e Revolução Cultural”, “O Jardim das Aflições”, “Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos 4 discursos”, “O Imbecil Coletivo”, “Maquiavel ou A Confusão Demoníaca”, “Os EUA e a Nova Ordem Mundial” e “O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota” já ficareis com uma clara ideia, caso ainda não a tenhais, do real tamanho deste senhor, de toda a trama e das minudências mundanas em que estais enredados…

                                                                                                                                                                               Eco

 

Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™

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