O fenômeno do sadomasoquismo sempre estimulou a curiosidade das pessoas, principalmente dos psicólogos e dos interessados em entender o comportamento humano.
Como podem a dor e o prazer coincidir? Alguns deles chegam a sustentar que o masoquista vive suas fantasias com riquezas de detalhes e muita teatralidade, mas, ao encontrar o sofrimento real, imediatamente abandona esse comportamento. Sabemos que existem muitos masoquistas que não apenas buscam formas degradantes de dor como também as experimentam com prazer.
O masoquismo desempenhou um papel importante na Idade Média, quando grupo de flageladores percorriam cidades e aldeias, como os apaniguados da lei Rouanet fazem hoje no Brasil, com as suas turnês patrocinadas por bancos e empresas públicas, intercalando suas apresentações fazendo o L e berrando sem qualquer escrúpulo o “Sem anistia”.
O masoquista, de um modo assombroso e fantástico, enfrenta e harmoniza os maiores opostos de sua existência.
O sadismo pode ser parcialmente entendido como uma expressão do lado destrutivo do ser humano: uma expressão do âmago da sombra, do assassino dentro do indivíduo. É um traço específico no sádico encontrar a alegria na destruição. O prazer de destruir os outros está relacionado com a autodestrutividade.
Outro componente do sadismo, tal como acontece com o psicopata é a intoxicação com o poder. Causa prazer sexual, dominar por completo o adversário, brincar com ele como o gato brinca com o rato. Nas fantasias sádicas, amarrar o adversário, condenar inocentes a pena de 17 anos de reclusão degradando-os e observar “friamente” suas reações, (ver o caso dos presos de 8 de janeiro), desempenha um papel importante. O adversário torna-se uma simples coisa com cujas reações o sádico/psicopata brinca.
Psicopatia não é doença, é uma deformação do caráter, portanto, não tem tratamento e nem tem cura. O sádico/psicopata tem que ser interditado e internado para sempre.
Texto livremente inspirado e adaptado de um artigo de Adolf Guggenbuhl-Craig, publicado em AO ENCONTRO DA SOMBRA.