O estrago feito pelos comunistas no Brasil, ao longo das décadas, é muito mais profundo do que parece à primeira vista. O dia de ontem foi a prova disso. As reações às medidas do ministro Flávio Dino mostraram como o brasileiro médio permanece desarmado intelectualmente diante de manobras políticas sofisticadas. A maioria sequer percebeu o que deveria ser o óbvio.
Dino não é burro, tampouco agiu por ignorância sobre os mecanismos da Lei Magnitsky ou por ingenuidade em relação ao sistema internacional. Também não se trata apenas de proteger Alexandre de Moraes. A estratégia é outra: forçar uma situação que possa resultar em sanções contra o sistema bancário brasileiro e, em consequência, no congelamento das reservas brasileiras no exterior.
Esse movimento abriria espaço para que a esquerda evocasse, aos quatro cantos do país, a narrativa de que o Brasil estaria sob ataque à sua soberania nacional. E, a partir daí, justificaria a entrada em cena dos bancos dos Brics para socorrer nosso sistema financeiro. Seria, na prática, uma estatização cruzada e informal da maior parte do setor bancário brasileiro. O Brasil, assim como a Rússia, não “quebraria”; apenas passaria a operar sob uma lógica de dependência ainda mais exploratória, submetido a interesses externos que não são os de Washington, mas de Moscou e Pequim.
Vale lembrar: banqueiros brasileiros não perdem nunca. A maioria deles mantém laços profundos com os globalistas. O caso do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, defendendo Lula e o governo brasileiro é um exemplo de como esses circuitos de poder se entrelaçam. A elite financeira sempre sabe a quem se alinhar para não ficar sem sua fatia do bolo.
Isso é possível porque os principais setores da economia brasileira não são mercados livres, mas sim monopólios e oligopólios:
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cimento,
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proteína animal,
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infraestrutura,
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siderurgia,
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telecomunicações,
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bancos,
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indústria petroquímica,
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construção civil,
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mineração,
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energia.
Podemos até incluir outros setores nesse panorama, mas o ponto é que o restante da economia, embora empregue muita gente, não tem peso político real nem musculatura institucional — como a indústria manufatureira, por exemplo. Ou, quando tem relevância econômica, está nas mãos de multinacionais, como é o caso da indústria automobilística.
Diante desse quadro, a pergunta inevitável é: como reagirá o sistema financeiro brasileiro se um ou dois grandes bancos entrarem em apuros? A resposta é que talvez não seja necessário envolver Itaú ou Bradesco, já que basta CEF e Banco do Brasil cumprirem as medidas do governo. Seus presidentes, amparados por uma legalidade forçada, não estariam incorrendo em crime, mas sim atuando dentro de um arcabouço jurídico deformado pela ideologia. Aliás, a atual presidente do Banco do Brasil, de perfil militante, já deu a linha: o resultado imediato foi a derrocada das ações da instituição.
Ou seja, a esquerda sabe o que faz. Seu jogo é de longo prazo e funciona na base do desgaste, da pressão e da criação de situações irreversíveis.
Mas há uma ressalva necessária sobre tudo isso. Ainda que o cenário seja desenhado ou mesmo desejado por certos atores do poder, sua execução não depende apenas deles. O êxito ou fracasso de tal plano exige:
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a adesão ou, ao menos, a passividade de outros players relevantes;
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a capacidade desses players de manterem imunidade frente a pressões externas;
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e o condicionamento imposto pelo ambiente macroeconômico e geopolítico, que pode tanto favorecer quanto inviabilizar tal engenharia.
Em resumo, a esquerda pode até saber o que quer, mas jamais controla todas as variáveis. A implementação depende de forças concorrentes — internas e externas — que podem virar o tabuleiro a qualquer momento. A própria sinalização feita por Flávio Dino no dia de hoje, ainda que não mude muita coisa de imediato, revela justamente isso: o plano existe, mas a realidade pode forçá-los a recalcular os passos.