A vida é um jogo.
E como qualquer jogo que se preze ele assenta em três pilares: um estado de relativa liberdade (de escolha e de ir e vir), limites e propósitos.
O jogo desenrola-se, pois, em torno desta triangulação, triangulação, essa, envolta e arquitetada em leis pétreas e rígidos regramentos. Um dos mais essenciais é que ninguém está à margem ou fora dele – todos estão irremediável e incontornavelmente dentro dele.
Não tem, pois, como jogar o jogo sem conhecer e respeitar as regras do mesmo.
Ser protagonista neste jogo, portanto, passará por estar nas antípodas de se ser um NPC – a danada condição da esmagadora maioria da espécie...
De outra sorte, resulta entender que tanto uma incondicional liberdade ou, inversamente, uma onipresença de limites / barreiras intransponíveis será sempre uma condição de não-jogo.
Sim, nesta nossa Matriz (a realidade), permeada por nossas consciências fragmentadas, uma total e desenfreada liberdade, assim como uma total imposição de limites serão sempre contranaturas, contraprocedentes e impedirão o normal transcurso do jogo. O mesmo será dizer que a missão resultará inexitosa.
Captastes?
Não?
Vamos lá:
Existe uma condição sem a qual o jogo não é entendido, não se desenrola, gerando incompreensão, retrocesso, enquistamento, insipidez, frustração, involução, errância e falha.
Ele terá que conter certas, estanques e determinadas imposições e naturezas.
Liberdade total e incondicional no jogo redundará, inevitavelmente, em desorientação, perdição, subversão e num precoce game over.
Na imanência onde estamos e vivemos, tal natureza e condição, não será uma questão de ser vista, tida ou sentida como um aprisionamento / cerceamento / opressão ou não.
É que é assim que ela foi e está configurada.
É a sua essência.
Aqui nascemos, daqui não escapamos e aqui perecemos.
E vós viestes aqui, pura e simplesmente, pra jogar este jogo.
É através dele que ireis procurar passar por todas as fases, fazer de tudo para vos tornardes campeões e almejar, com a fração de consciência da qual sois aparelhado, alcançar a Mente Superior – eis a missão do jogo…
Sim, a missão passará por dominar, mentalmente – via consciência –, o enredo espaço-temporal em que estais envoltos e emaranhados.
Entrechoques, fatalidades, pelejas, revezes, ignorâncias, frustrações, exasperações, superações e / ou momentos de euforia ocorrerão ao logo da jornada, com absoluta certeza, até que uma harmonização, ascensão e glória se possam fazer sentir.
A sensação de sucesso, de missão cumprida e bem-aventurança advirão da acutilância e perspicácia em saber jogar o jogo: manejar a materialidade e a fisicalidade, a energia, o espaço, o tempo e TODA a realidade perceptível envolta.
Eis a genuína alquimia a almejar.
E quando a consciência passa a sair de um qualquer estado de limitação onde, eventualmente, se encontre o jogo sempre será alterado numa mágica escala de proporcionalidade e ajuste: menor densidade e atrito sempre resultará em menos regras e limites, uma vez que na realidade vivida e percebida, quando a relação entre liberdade e limites se torna demasiadamente desequilibrada, o resultado sempre resultará em infortúnio, sabotagem, insucesso, sofrimento e dor...
Jogar o jogo, transpor cada obstáculo e passar de fase é o único caminho.
E isso passará por se ser hábil e sábio.
E, no frigir dos ovos, protagonizando e realizando todo o processo, a premiação é sentir e perceber que o objetivo foi alcançado.
O ser capaz de tal façanha é o ser consciente no enfrentamento deste jogo, de se predispor a jogá-lo, passar por ele e alcançar o máximo de fases possíveis – é que, e insisto, não há escapatória ou alternativa...
Então, prestai atenção:
A liberdade de / para algo só é AUSPICIOSA E / OU SE JUSTIFICA enquanto existe um espaço, uma oportunidade e um fito para ser usada e desfrutada.
E sem que seu uso implique em qualquer prejuízo PRÓPRIO, ALHEIO ou dano colateral...
Pensai:
Um desejo infindável e absoluto de liberdade é, na verdade, uma armadilha perfeita, um CONTRA-CENSO, pois que, no fundo, e bem vistas as coisas, não passa de um paralisante fruir, de um processo vicioso e inoperante de fuga à essência e natureza do jogo.
Se quereis ver-vos livres de produzir / laborar / criar, ver-vos livres da família, do estudo (mais pessoal que formal), da responsabilidade, de vos aprimorardes, de corrigirdes defeitos e deficiências, de transformardes toda e qualquer faixa de ignorância em máximo conhecimento, livres de comprometimento, de serdes referência ou inspiração para alguém, de deixardes um legado e uma descendência, de serdes lembrado com saudade, para terdes os comportamentos mais escabrosos e enviesados, fugir da realidade, do esclarecimento, da clarividência – do jogo, portanto –, se não quereis buscar nada ou buscar tudo, irrealisticamente, sem um norte e sem um foco (que sempre será uma e a mesma coisa), não quereis jogar, isto é, passareis e não entendereis nada...
Sinto muito, o mister e o busílis deste jogo é um só: passar de fase, experienciar e almejar, já no campo da transcendência, a derradeira delas.
E a única coisa a ser feita é buscá-la…
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™
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