Desde o fim da reunião — e da coletiva realizada na embaixada brasileira, e não na Casa Branca, a pedido de Lula — surgiram análises e narrativas para todos os gostos na mídia e nas redes sociais.
Do oba-oba ufanista da esquerda ao azedume automático dos opositores, pouca gente parece disposta a reconhecer o óbvio: foi um desastre.
E não apenas pela ausência de resultados concretos após o encontro, nem somente pela quebra de protocolo, que por si só já sinalizaria um cenário negativo.
O desastre está no conjunto da obra. Essa é a grande verdade.
Ainda que a situação possa render dividendos políticos momentâneos por meio da narrativa já em construção, a realidade sempre acaba se impondo. E, quando ela se impõe, resta evidente que o saldo foi desastroso.
Na primeira hipótese, Lula e Trump teriam retomado uma química política positiva e alinhado interesses importantes.
Mas onde isso aparece na entrevista de Lula? Onde está refletido nas postagens de Trump?
Na segunda hipótese, Trump simplesmente atropelou Lula politicamente. E, nesse caso, sequer seria necessário explicar por que o encontro teria sido desastroso.
Mas é possível ir além.
Quando um presidente brasileiro — hoje tratado como persona non grata em Israel, aliado histórico e prioritário dos Estados Unidos e de Trump — acumula declarações ofensivas contra líderes e interesses estratégicos americanos, o cenário já nasce contaminado.
E então surge a fala sobre uma “listinha” entregue ao POTUS, pedindo a devolução de vistos para autoridades brasileiras, seguida da afirmação de que teria dito para Trump “sorrir”.
É impossível olhar para tudo isso sem perceber o grau de constrangimento diplomático envolvido.
Lula é um desastre fora da própria zona de conforto. Simples assim. E, neste momento, existe uma coisa que ele claramente não possui: conforto político e diplomático.
No fundo, independentemente de Lula ter sido ignorado, esculhambado ou apenas tolerado por Trump, a existência de qualquer um desses cenários já revela algo maior: o Brasil, sob Lula e o PT, deixou de ser tratado como um parceiro sólido e respeitado.
Créditos (Imagem de capa): Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio de 2026 — Foto: Ricardo Stuckert / PR
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