Por que os meninos aparentam e manifestam ser mais irrequietos, imaturos e intranquilos que as meninas apresentando os mesmos verdes anos?
Qualquer infante ou infanta, quando primaveril, chegará à fase em que, num ápice, se verá obrigado a ter que tomar decisões existenciais, experimentará inúmeras e sucessivas transformações morfológicas, ver-se-á refém dum sistema endócrino ditatorial, intrépido e irredutível, e será fortemente oprimido e sufocado pelas exigências socioeconômicas mundanas das quais sua independência, dignidade, maturação e resiliência estarão irremediavelmente atreladas.
Estamos em crer (e já o bradamos aqui num outro contexto temático) que uma alternativa mais que paliativa para amenizar tal conturbação existencial passará por adquirir um apego e uma identificação a um vínculo epistemofílico e intelectualizado que, além de conter e auxiliar a digerir tal fervilhante agitação emocional, proporcionará o surgimento de diversas possibilidades de amplo sentido nas escolhas e destinações futuras.
Incontornável, todavia, é o fato de existirem diferenças muito mais que morfológicas no desenvolvimento psico-afetivo dos dois (naturais, genuínos e únicos) gêneros que compõem a nossa espécie: o masculino e o feminino – tudo o que fuja/deriva disto serão construções linguístico-culturais de subversão...
Há uma leiga e unânime constatação de que as meninas, desde a mais tenra infância, mostram-se ser bem mais tranquilas que os meninos;
Que estes são mais instáveis;
E que aquelas amadurecem bem mais precoce e rapidamente no decorrer do processo maturativo.
Por que será que assim ocorre?
A chave explicativa encontrar-se-á, estamos em crer, nas vicissitudes específicas que consubstanciam a organização distinta da dimensão sexual no psiquismo dos rapazes em contraponto ao das garotas.
O fato de o rapaz ter que resolver/aventurar-se, digamos assim, mais precocemente, na travessia separatista da imago materna com o fito de introjetar a masculinidade e a virilidade, tem seu preço em modo de pressão, confusão e angústia.
A mocinha, por seu turno, contorna e posterga tal movimento (exigentemente conflitante para aquele), movendo-se anestesiada e em tranquila sonolência até a puberdade, pois possui tudo aquilo que é da mãe, é mulher como ela, o que lhe dá, desde logo, uma autoestima e um sereno narcisismo inerente e intrínseco.
O pubescente, esse, pelo contrário, e a duras penas, precisa e necessita encetar a separação límbica materna o quanto antes, por forma a tornar-se homenzinho e poder criar, assim, a abertura para uma vinculação consistente ao mandato exogâmico, fora do círculo familiar, portanto, afastando-se e desidealizando o amor endogâmico, destino final da razão de todo e qualquer legado familiar próprio, pessoal, único e intransmissível.
Reformulando a forma, quicá, tétrica de me expressar, e que é meu apanágio, poderemos dizer o seguinte: tanto o menino como a menina são gerados e nascem de um local comum – o ventre materno.
É com essa mesma mãe que ambos estabelecem uma relação umbilical, única e privilegiada.
Todavia, passada a infância, e com a dolorosa necessidade, mais ou menos indiscernível, de que terá que encetar tal separação psico-imagética, o rapaz vivenciará mais precocemente uma adaptativa imposição e exigência que, inevitavelmente, repercutirá em seu plano comportamental como um todo.
Aqui, talvez, encontrais a explicação para o fato do período de latência – aquele paradisíaco período entre a infância e a adolescência –, nas meninas ser mais expandido que nos meninos, com a consequente diferença isomórfica e funcional de ambos os sexos na negociação com o real e com a sempre angustiante – e indefectível – adaptabilidade...
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as Peças com Intelecto, Lucidez e Cognição Impoluta