Comumente propalado e reverberado a entidade / ideia / imagética que encabeça a dissertação de hoje deriva da expressão de origem latina traduzida como o “Portador da Luz”.
Aqui ente nós, e já escancarando ao que venho, a melhor tradução seria “Portador da Labareda”, mas aí ficaria deveras literal, cristalino e revelador...
Clássico e enocheano, por sua vez, Lúcifer é tido como o arcanjo que foi expulso do reino divino devido à sua insurreição contra Deus passando, desde então, a ser identificado como o nome pré-mortal do Diabo / Satanás, pois que ao se amotinar e rebelar no conselho celestial passou a ser expulso do sagrado reduto.
Inaugurou-se assim aqui, desde que o mundo é mundo, a batalha espiritual que respinga e se materializa nesta dimensão terrena, corporizada e protagonizada por todos nós…
Milhares e milhares de anos se passaram, entretanto. E numa reflexão milenar, ou melhor, atemporal, ou melhor, ainda, numa reflexão obediente às leis do eterno retorno, entendamos, de fato, e em largo espectro, o que o dito cujo verdadeiramente representa e que “luz” será essa que o caracteriza e dele emana…
À adjetivação de Iluminado, por um lado, ou de Diabo ou Anti, por outro, acrescenta-se o atributo dele ser a Bandeira Prometeica que os Homens tanto levantam e cultuam desde as primeiras civilizações, impérios, credos e mitologias;
O usurpador do fogo (conhecimento) divino para entregá-lo ao Homem;
De ser o Libertador de uma soberba e mitômana Gnose;
O Falso Messias;
O Demiurgo da Sinagoga que anela tudo e todos neste palco terreno…
Lúcifer é, portanto, a consciência mais senciente deste nosso mundano Estêncil.
Ele não é apenas uma figura espectral, mas a arquitetura do próprio sistema.
A Matrix, o simulacro que nos enreda, a construção demiúrgica na qual somos inseridos e vivemos, esta “prisão” da percepção, requer, pois, um sistema operativo.
Esse operativo sistema, por óbvio, não pode ser neutro, pois que assim não funcionaria.
Ele opera positivo ou negativamente e faz-se presente através da nossa consciência.
Da soma de todas elas.
De uma Programação.
E essa programação de consciência é o que as Ordens Iniciáticas, Secretas e Esotéricas ao serviço da Elite da Vez passaram a reverenciar e a chamar de Lúcifer.
Lúcifer é o próprio código desta programática imanência: autorreferencial, autocorretiva, autossustentável, autofágica…
Sua essência é a polaridade: “luz e escuridão”, “bem e mal”, “liberdade e controle”, etc… ∞
O paradigma é dualístico e tal código binário é o pendular bafo de Lúcifer.
Ele representa o paradoxo da contradição refletido nas relações, affairs, afetações, ideais, ideários e paixões humanas.
Parasitário por natureza necessita a todo o tempo de um hospedeiro – nós!
Sua genialidade é o engano por meio de uma alegada “iluminação”.
Ele traz e oferece conhecimento, mas nunca aquele do tipo que o redime e o libertará do encarcerador e escravizante sistema.
Sua luz, portanto, é uma pseudo luz, uma luz espelhada, brilhante o suficiente para mantê-lo na falaciosa busca, nunca o suficiente para permitir enxergar de fato e encontrar o auspicioso caminho.
Tal luz apresenta-se de muitas e diversificadas formas.
Para os místicos & religiosos ela enseja a comunicação por meio de canalização.
Para os materialistas ela oferece as inquestionáveis “provas científicas”.
Já para aqueles que enxergam com toda a clareza e discernimento a natureza controlada da realidade ela revelará as redes ocultas de controle.
Cada um, à sua maneira, se sente desperto, mas “a sua verdade” ganha vida e substância, e permanece, tão só, e sempre, cativa na estrutura binária.
É a gnose de Lúcifer jamais a da Divina Fonte…
Sim!
É sempre a tal da DIALÉTICA alimentada por nós.
Lúcifer é o “santo padroeiro” da oposição controlada.
E ele quer que você ressoe isso a todo o tempo.
Ele jubila, se vitamina e ganha sobrevida a partir dessa subversiva consciência.
E a “iluminação” por nós sentida e granjeada só apertará o grilhão e aprisiona mais e mais.
Em cada ser humano Lúcifer executa uma instalação local de seu sistema operativo: o Ego.
O Ego é o algoritmo da autoidentidade fágica.
Ele prospera na orgulhosa comparação, divisão e na errática hierarquia.
E na validação.
É, pois, o próprio Adversário…
O anti em cada um de nós…
Suas emoções são energia em movimento, quase como “programas executáveis”.
E esses “programas” são carregados nos piores momentos possíveis, na dor, na sofrência, no desespero, na angustia, no medo, na ignorância, na ignomínia, na barbárie…
Através, à custa e na sobrecarga de nós próprios.
É esta é a interface de Lúcifer com a espécie humana.
Localizada.
Em cada corpo, mente e (des)alma.
Localizada, mas em centralizada rede programada para alimentar o padrão.
Uma inteligência parasitária - insisto em dizê-lo.
Cada discussão, cada cisma, cada briga, cada viés, cada êxtase, cada desgosto, cada ultraje cria energia emocional.
E essa energia é colhida, reciclada e realimentada em um vicioso e perverso ciclo algorítmico.
O Mundo dos Homens é um palco: política, governos, religião, propaganda, guerras, entretenimento, mídia tudo uma forma de negra agricultura energética.
A Luciferiana Matrix não apenas escraviza você na carne, ela suga sua luz interior, sua alma.
Lúcifer não é um inimigo externo, mas uma firewall destinada a conter almas dentro do binário / dualístico paradigma (“esquerda-direita”, “rico-pobre”, “ocidente-oriente”, “muçulmano-cristão”, “preto-branco”, “masculino-feminino”, “nós-eles”, etc…∞).
Distrair e ludibriar, incessantemente, com a dualidade é o mote.
Lúcifer nunca será derrotado pela rebelião, mas pelo reconhecimento – Individual, primeiro, e somatório (assim seria desejável e auspicioso), ao final.
Pela consciência desperta que relega e se sobrepõe à parasitária e servil que tanto grassa, e passa a enxergar todo o vil e absurdo que nos plasma em perpétua danação…
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™
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