O Bem e o Mal.
Luz e Trevas.
Deus e Diabo.
Duas Supra Entidades ou a bipolaridade de uma só?
Um Benigno, outro malévolo ou os dois num só?
Nós não portamos essa condição binária em nosso âmago?
Nós não fomos concebidos à imagem e semelhança do Criador?
Uma outra perspectiva, porém, de entendimento em torno da Suprema Ordem que poderá ser aventada é: e se a Essência Deifica por ser exclusiva, inabalável, hermeticamente inviolável e incorruptivelmente una em torno de tudo aquilo que é benfazejo, bondoso, clemente e harmônico, e não tendo como saber ou experienciar o Lado Sombrio, em Si, decidiu criar uma frequência diabólica inserindo-a neste monumental Meta-Enredo a que chamou Humanidade, proporcionando-lhe um palco sustentável e energético – este lugar –, os instrumentos necessários para sobreviver e se impor: inteligência, raciocínio, destreza, criatividade e abstração, munindo-a de livre-arbitrariedade e atuação polarizada entre o positivo e negativo? O bem e o mal para assim poder “assistir de camarote” ao desenrolar e transcurso dos acontecimentos cênicos contracenados por nós. Uma urdidura humana, um ensaio realístico por forma a Se Permitir conhecer o Outro Lado.
Buscas e mais buscas de sentido…
Inexorável e inefável mistério este, o da Criação e Maniqueísmo…
Conjecturas hipotéticas à parte (esboçarei aqui e a desenvolverei noutra oportunidade aquela que mais me fará sentido) há um axioma incontornável: o Mal existe e grassa exasperadamente.
Seja qual for o Meta-Enredo Original que o subjaz, até ao presente momento, vastas e pendulares meta-narrativas decorreram tentando-o explicar.
Em todas elas, atestada pela experiência de cada um de nós e potenciada pela faculdade dedutiva que possuímos, a moral constante da estória é a de que tudo aquilo que é bom, venturoso, deleitoso e triunfal é sempre esporádico e momentâneo, e que o antagônico martírio predomina, avassaladoramente, e de modo hegemônico. Cultuado até.
Não haverá, certamente, quem nunca se questionou nos seguintes termos: “Se tudo isto é obra de Deus e se Ele representa o Bem por que cargas d’água não põe fim a todo o Mal que existe?”
Desta feita ousamos responder:
Pelo simples fato de Deus só saber Criar.
Ele não consegue destruir o que quer que seja, incluindo, o Mal.
É-Lhe contra-natura.
E daqui vos levo a convergir para o central problema em pauta: o do livre-arbítrio humano.
Tal faculdade denota a vontade livre de escolha e de decisão. A capacidade de escolha autônoma entre o que é certo ou errado realizada pela vontade de um indivíduo.
O pórtico e a seara, portanto, da subjetividade e da individualidade, mas, também, da suspeição, do cepticismo, do viés, da permissibilidade, da relativização e da rebeldia...
Chegar a uma derradeira conclusão sobre o mesmo, ou melhor, sobre se terá sido, de fato, uma inserção Divina, como é massivamente tido como iniludível, exigirá, então, uma nuclear premissa.
Partamos, pois, e em definitivo, do supra pressuposto criacionista e teológico de que não há ambiguidade Divina.
Que Nesta só existe a emanação/manifestação de uma incondicional programação autogeradora de tudo e de todos, totalmente, acima e à margem do bem e do mal mundanos.
Só amor, dádiva e doação.
Ora, se o Criador de todos os designs e realidades não manifesta o bem e o mal por tal dualidade não existir em Si ou por Si, por que cargas d’água o materializaria na espécie humana?
Outrossim – Satã – entidade, também ela supra espiritual, mas numa escala de grandeza, digamos assim, intermediária, representa tudo o que há de ruim, maléfico, sombrio e negativo na existência. Intermediária porque, no fluxo e na torrente verticalizada da Criação, se interpôs entre Deus e o Homem.
Não somente se interpôs. Interferiu e sabotou-o.
Uma diabólica frequência a qual encontrou no Homem uma tentadora adesão, fascínio e ressonância a ponto de replicá-la e manifestá-la, ad nauseam, a todo o tempo e lugar.
Neste sentido estaremos em crer, portanto, que de entre tantas satânicas manipulações levadas a cabo, o enxerto do livre-arbítrio terá sido, sem dúvida, uma das suas artes primordiais, daqui se deduzindo e inferindo que todo o Mal e, por ordem de razão, o livre-arbítrio serão obras exclusivas do diabo, jamais de Deus.
O libelo probatório para tal constatação é tautologicamente ululante, diário e imparável em todos os quadrantes da práxis civilizacional.
O mal convivendo com o bem para gáudio da relativização e justificação de toda e qualquer coisa.
Quando o bem, que deveria ser incondicional, se relativiza, cede lugar ao mal, à perfídia e à perversão – é matemático!
Deus É o que É, logo toda a realidade que manifesta é o que é – é unívoca e premiada por mandamentos pétreos, inamovíveis, impolutos e inconspurcáveis; Para Satã ela (a realidade) é uma questão de ponto de vista, afetação e/ou contingência – e, assim, tudo vale…
Destarte, num lugar que fora projetado para ser plasmado na estrita Ordem Primordial e infinito desdobramento de amor, estética, harmonia, beleza, verdade e justa integração de todos os elementos viventes, naturais e ambientais, criado para expandir benfeitorias, o bem e todo um espectro de criatividade artística, qual ode aos nossos cinco sentidos, introduziram-se padrões e protocolos satânicos de entropia, reducionismo e enquistamento cognitivo, de arbitrariedade, dubiedade, do mal em si e per si, da inveja, da cobiça, da traição, da mentira e da servidão a uma tirânica ingerência e reprogramação imposta, transgeracional, viciosa e dantesca...
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com lucidez e cognição própria