Na madrugada de 13 de junho de 2025, Israel iniciou a “Operação Rising Lion” com ataques aéreos de grande escala contra mais de 100 alvos no Irã, incluindo instalações nucleares (como Natanz, Isfahan e Tabriz), bases militares e residências de altos comandantes da Guarda Revolucionária. A afirmação oficial de Jerusalém baseia-se em inteligência que indicaria que Teerã acumulou até 400–600 kg de urânio enriquecido (~60 %) – material suficiente para produzir bombas nucleares, segundo o IAEA e afirmações de Netanyahu.
Durante o ataque, foram mortas figuras de alta importância, incluindo os generais Hossein Salami e Mohammad Bagheri, além de cientistas nucleares como Fereydoon Abbasi e Mohammad Mehdi Tehranchi. O Irã prontamente respondeu com o envio de aproximadamente 100 drones em direção a Israel, embora muitos tenham sido interceptados atentamente pelas defesas israelenses.
Reação internacional e possíveis implicações
- Estados Unidos: Oficialmente, a administração Trump se distanciou das ações, afirmando que não participou dos ataques e que o foco é proteger suas forças regionais. Trump, todavia, divulgou mensagens indicando apoio e mencionou que deu um ultimato ao Irã horas antes, e que mais ataques poderiam ocorrer.
- Senado dos EUA: O senador Chris Murphy alertou que o ataque arrisca provocar uma guerra mais ampla e criticou a ação como um obstáculo às negociações diplomáticas. Já Lindsey Graham defendeu uma retaliação dura dos EUA caso o Irã ataque forças americanas.
- Países do Golfo e Europa: Reino Unido, Arábia Saudita e Japão pediram moderação. Turquia condenou o ataque alegando violação do direito internacional. Omã classificou a ação como uma “escalada perigosa”.
- Outros atores regionais: O primeiro-ministro do Iraque e os rebeldes houthis apoiaram o direito iraniano à retaliação.
- Mercados: Os mercados reagiram imediatamente: o preço do petróleo subiu entre 6 % e 14 % em resposta ao risco de interrupções no Estreito de Hormuz, e os índices acionários registraram quedas em meio a ondas de incerteza .
O que esperar a seguir?
- Escalada militar ou contenção: O Irã pode adotar duas estratégias: retaliação imediata, que incluiria mais drones, mísseis balísticos ou ataques via proxies; ou optar por “paciência estratégica”, aguardando o momento certo, dependendo da efetividade dos ataques israelenses.
- Impacto diplomático: A operação derrubou negociações emergentes mediadas por países como Omã e o IAEA com apoio dos EUA e Europa, complicando qualquer retomada dos esforços para resgatar o acordo nuclear.
- Repercussão global: Pressão internacional por contenção crescerá, especialmente se o conflito afetar preços de energia ou atingir navios comerciais no Golfo.
- Reação doméstica em Israel: A liderança israelense pode ver uma demonstração de força, mas também enfrenta riscos políticos internos se a ação resultar em escaladas prolongadas ou em vítimas civis significativas.
Em resumo
Israel defendeu o ataque como uma ação preventiva essencial para deter um programa nuclear que considerou perto de produzir armas. No entanto, isso trouxe à tona uma dinâmica perigosa entre diplomacia, retaliações militares e impacto econômico global. Os próximos dias serão decisivos para saber se o Irã responderá com força total ou buscará jogar politicamente e diplomaticamente, enquanto a comunidade internacional observa com tensão e preocupação.
Fonte/Créditos: theguardian.com , wsj.com, time.com, barrons.com, marketwatch.com
Créditos (Imagem de capa): RFI