A presente data passou a figurar no calendário oficial do país a partir de 2011 pelas mãos da então presidente Dilma Rousseff sob a Lei 12.519, mas já faz parte do calendário escolar desde o ano de 2003, quando Lula tomou posse pela primeira vez e sansionou a Lei 10.639 instituindo a obrigatoriedade de ensino de história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares.
A potencialização da figura de Zumbi dos Palmares é dada a partir dos anos de 1970 com o avanço da pauta racial promovida pela influência de eventos internacionais (declaração direitos civis nos EUA em 1969, conferências da ONU contra o apartheid, o processo de descolonização de países africanos, a explosão de ritmos, como o afrobeat e a Black Music e etc) que inspiraram a criação do Movimento Negro Unificado - MNU e de diversos outros movimentos com o teor culturalista.
A partir de então os militantes dos MNs passaram a batizar os seus filhos com supostos nomes africanos, mudaram a estética (adorando o Black Power), a indumentária (utilizando batas coloridas e turbantes) e passaram a compor os partidos de esquerda, conquistando capilaridade na máquina pública sobretudo no âmbito da educação, aproveitando da histórica pauta da educação, principal bandeira de luta dos MNs anteriores (Frente Negra Brasileira - FNB e TEN - Teatro Experimental do Negro) e o afrouxamento nos pré-requisitos para o ingresso docente deixada com o fim do regime de cátedras e a reforma universitária de 1968.
Foi na necessidade de transição de um herói nacional negro, em substituição de uma princesa branca (princesa Isabel), que Zumbi foi canonizado pelo MN e surgiu o conceito de CONSCIÊNCIA NEGRA.
É importante salientar que este processo se deu de maneira coordenada entre os países latino americanos com forte influência dos MNs, já cooptados pela esquerda globalista. Aqui eu cito o caso do Uruguai, que desde a década de 1970 pressiona o Estado para o reconhecimento da figura do negro Ansina como herói nacional, sob o argumento de que ele foi o principal assistente do general Artigas, herói da libertação nacional daquele país.
A partir dos anos 2000 a figura de Ansina foi reconhecida como herói nacional e a principal manifestação cultural negra uruguaia, o candombe, foi tornada patrimônio imaterial da humanidade, tudo ao passo que as leis de "promoção da igualdade racial" se materializavam pelo continente, aqui com a já citada Lei federal 10.639/03 e a Lei Estadual do Rio de Janeiro 4151, instituindo cotas raciais para o ingresso na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e para a Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF, e lá pela Lei 19122/2013, instituindo ações afirmativas para o ingresso de negros no mercado de trabalho e assistencial social.
Todo este processo se deu por um longo percurso tutelado pela Organização das Nações Unidas - ONU, que ao longo do século XX preparou o terreno para que no momento crucial fossem implantadas as políticas públicas focais de "promoção de igualdade racial".
O momento chave foi a conferência ocorrida em Durban, África do Sul, em 2001, onde foram debatidas as diversas formas de preconceitos existentes, cabendo aos signatários saírem com um pacote de medidas a serem implementadas em forma de políticas públicas. Foi a maneira de salvar o colapso esquerdista da recém queda dos regimes comunistas desde o final da década de 1990 e restaurar a esquerda na América Latina, agora por meio das pautas minoritárias, com ênfase no racialismo.
Portanto, o suposto líder quilombola - que pouco aparece na historiografia anterior a década de 1970 e não participou de nenhum dos movimentos determinantes para o fim da escravidão, travados nas cidades e em âmbito jurídico - se consolidou a partir de forte ação propagandista para a mobilização por argumentos frágeis e emocionais como maneira de garantir a institucionalização das agendas do MN e para que os partidos de esquerda pautassem as políticas públicas para a população negra.