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Terça-feira, 05 de Maio 2026
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COMPLEXO VIRA-LATA

Memórias & Retalhos dum Eco Inteligente e Não Replicante

COMPLEXO VIRA-LATA
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Do alto dos meus 13 anos de vivência neste giganto desgovernado, atrozmente vilipendiado e sempre tão à deriva Brasil muito, por mim, tem sido observado, experienciado, refletido e inferido.

Uma das coisas mais salientes e notórias tem sido, sem dúvida, um sui generis sentimento de inferioridade que, grosso modo, o brasileiro sente em relação a tudo o que é e vem de além-fronteiras, especialmente, tudo aquilo que diga respeito aos EUA (a Babilônia da modernidade) e / ou à Europa (a Babilônia de outrora).

Importa esclarecer, sem embargo, que tal auto-desvalorativa postura, quanto a mim, não será algo que se relacione, de todo, com falta de amor-próprio ou de confiança pessoal, pois que o brasileiro quando o que está em causa é o fazer pela vida, em bitolas de superação e patamares de excelência (pois que este é um espaço & vinheta por mim utilizada para a mais alta, justa, genuína e refinada vibração, quilate, beleza, gosto e cultura – nunca o olvidem e tenham-no sempre em mente), o brasileiro, dizia-vos, é, por regra, uma criatura extremamente determinada, obstinada e que, em momento algum, se apequena.

Diferentemente do português (a título de exemplo, e de padrão comparativo, advindo duma pessoal essência e conhecimento de causa) que, em regra, é mais letárgico, “engessado” e acomodado, menos reinventivo, combativo e autoconfiante, resultado, talvez, duma antropológica e sociológica pequenez / pacatez diametralmente proporcional ao tamanho do território e do horizonte onde nasce, cresce e se cria...

Não quererei com isto dizer que Portugal não dê à luz e não tenha sido berço de grande e brava gente, deveras valorosa e de quilate nas mais diversas áreas e valências. O que enfatizo é que tal característica ocorre em bem menor expressão, natureza e número, haja vista o nível almejado, miraculoso mesmo, que num País tão desigual, assimétrico e sofrido, em todos os aspectos infra e supra estruturais, o brasileiro alcança em qualquer atividade que envereda ou profissão que se preze.

Poderia estar aqui até amanhã citando nomes, casos e exemplos...

Euzinho, com trinta e seis anos de Portugal “no costado e no lombo”, que tomei a sempre espinhosa decisão de sair da minha zona uterina e de conforto para vir para uma desenfreada megalópole (SP), de mala e cuia, para lutar por um lugar mais solarengo na minha espinhosa profissão (o mesmo é dizer: por um lugar que me ofertasse os quinhões e vinténs que considerava merecer auferir, depois de já tanto ter pelejado e penado em natos domínios para consegui-lo e conquistá-lo, mas sempre em troca duma pecúnia, perpetuamente, injuriante, vã e defasada), para lutar por um lugar mais solarengo, dizia-vos, disputando-o com uma específica nata brasileira, bem o “senti na pele, na carne e na psique” – sei do que falo e falo-o com toda a propriedade, conhecimento e experiência própria...

Donde virá, então, esse tão peculiar complexo de vira-lata patente em tanto cidadão deste País?

Depois de muito meditar inferi que advirá dum incutido, projetado e massivo sentimento – dum mantra imperialista – que, por transferência, escamoteia todo um traumático desenraizamento e desmame planejado e programado, qual estigma maculoso, que torna todo o país colônia e satélite (vide toda a América latina e sulista, e África em geral) subserviente, impotente, desajustado, adestrado e sob o permanente jugo da ominosa, colossal e omnipresente cadeia de controlo e comando global.

Países Peter-Pan que, independentemente da extensão territorial que granjeiem, são, de fora e à distância, regidos, manietados, pirateados, estigmatizados, esnobados e marginalizados, arresto e condenação, essa, que, e depois de certo tempo, como que ganhando vida própria, passa a ser auto-fomentada e auto-incorporada, ininterruptamente e ad nauseam, pelos seus contra os seus, ou não fossem essas as referências e a amarga herança sócio-político-cultural que passam a introjetar na adaptação ao meio em que nascem, crescem e necessitam se ajustar e sobreviver...

A desconexão de quase toda a colônia da sanha predatória e da soberania colonizadora teve e tem um alto preço – aqui, em Terras de Vera Cruz, Portugal creditou, mas foi só uma mera franquia do Plutocrático Cartel...

Um custo materializado num atestado de pequenez certificado pelo conquistador e dominador da vez...

Algo que não alcança, afeta e respinga, somente, no acachapante espectro estrutural, de prosperidade e de desenvolvimento generalizado dum povo e de uma sociedade, ou no ostracismo em torno dos ardis geopolíticos de controle, mas no subconsciente emocional e no imaginário de todo um miscigenado povo desnorteado, órfão, desvalorizado, mal tratado e sabotado.

As jazidas minerais e os tesouros naturais das Américas (central e sulista) e de África, sempre foram por demais cobiçadas, sugadas e vampirizadas em nome duma predatória voracidade e cobiça lucro-liberalisto-progressista por parte dos controladores mundiais (o paradigma econômico, político e ideológico de eleição que se fazendo parecer antagônico e/ou não comunicante entre si, desde sempre tem vindo a trabalhar em perfeita e orquestrada sinergia), mas sobre o caráter dos nativos de tais territórios – primeiro indígena, depois negros e brancos que para aqui e para lá foram, se estabeleceram e conquistaram terreno – pesa toda uma maldição de caboclismo, boçalismo, utilitarismo, subserviência, incapacidade e descarte.

E assim temos no seio do próprio país:

O nababo salomônico versus a pobreza mais extrema e aflitiva;

Dom Quixotes versus Sancho Panças;

Fidalguia versus Servilismo;

Sentimentos grandiloquentes versus Moralidade modorrento-duvidosa;

Esforços colossais e virulentos em prol duma gananciosa ideia exploracionista e segregadora versus Uma soturna aquiescência e flerte com toda à sorte de rapacidade e corrupção bisonha, grotesca, despudorada e insolúvel…

Convulsionaram e sugaram tais domínios e terras à exaustão.

Deram-lhes, depois, a ilusão duma conquista de independência e autonomia.

Mas tudo o que fizeram foi transformá-los em presas passivas duma paródia democrática – réplica grosseira e xucra das sofisticadas e pioneiras já há muito implementadas nos principados e potentados mundo afora.

Nas ex-colônias as vítimas, em esmagador maior número, são impotentes em face de tantos canalhas, velhacos, inescrupulosos, psicopatas, ladrões e assassinos.

As instituições públicas são vilipendiadas, desacreditadas e objeto da máxima ojeriza.

As leis, essas, líricas e seletivas quimeras num insano, ignominioso e duplo-padronizado lawfare.

E é neste incongruente, desalinhado e entrópico contexto, de berço e pedigree, que a identidade deste povo se formou, se fez e, naturalmente, passou a crer (ledo engano) que o paraíso na terra, no qual tudo funcionará às mil maravilhas, pejado de glamour e finess, encontrar-se-á, somente, lá fora, qual privilégio exclusivo e reservado a gringos...

                                                                                                                                                                                                               Eco                                                                                                                        

Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez e cognição impolutas

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