Certa vez, foi perguntado a um mago eremita:
— “Como é que o senhor nunca se aborrece em viver sozinho o tempo todo?”.
E o asceta respondeu:
— “Tenho muito trabalho a fazer, diuturna e continuamente.
Preciso treinar dois falcões e duas águias, acalmar dois coelhos, disciplinar uma cobra, motivar um burro e domar um leão”.
O indagador – um tanto ou quanto espantado – olhou em redor e arguiu:
— “Mas não vejo nenhum animal por perto”...
O místico sorriu e, eloquentemente, passou a elucidar:
— “Todos nós carregamos tais animais dentro de nós.
Os dois gaviões lançam-se sobre tudo o que veem — bom ou mau, útil ou nocivo.
Devo ensiná-los a distinguir entre o certo e o errado.
Esses são os meus olhos.
As duas águias destroem tudo aquilo em que tocam com as suas garras.
Devo ensiná-las a servir e a ajudar, em vez de destruir.
Essas são as minhas mãos.
Os coelhos saltam constantemente de um lado para o outro, em alerta constante e escondendo-se com medo.
Devo acalmá-los e ensiná-los a enfrentar situações difíceis e adversas em vez de fugirem dos problemas e / ou apavorarem-se por tudo e por nada.
Esses são meu discernimento, lucidez e alta consciência.
Já o mais difícil de treinar é a cobra...
Mesmo trancafiada numa jaula estreita está sempre pronta para atacar, morder e envenenar qualquer um que esteja por perto.
Devo discipliná-la e policiá-la, cuidadosamente.
Essa é a minha língua.
O burro, como saberás, é teimoso e empaca.
Está sempre cansado e relutante em trabalhar.
Devo encorajá-lo e motivá-lo, continuamente, e a todo o tempo.
Esse é o meu corpo.
E, finalmente, devo domar o leão — o tal que se julga ser rei e quer governar sobre todos.
É orgulhoso, vaidoso e acredita que o mundo inteiro deverá girar à sua volta.
Esse é o meu ego.
Então, como poderás ver, tenho sempre imenso e um árduo trabalho a levar a cabo”…
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™
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