"Não é a política, e a cultura!", assim dizia o professor. Como dizia que o movimento estava investindo, onde tivemos a cereja do bolo e não tínhamos as bases. Ele não viveu para ver e talvez notar que essa inversão será a forma de aprendermos pela dor e não pelo amor o que ele tentou fazer com que entendêssemos.
Sim, é necessária uma mudança cultural nossa para deixarmos de ser um país de esquerdistas de direita.
Assim que Jair Bolsonaro foi eleito começamos a assistir à disputa por espaço naquele governo que tinha como proposta fazer diferente. De políticos das bases, jornalistas, gente que bradava e clamava contra a corrupção, contra a esquerda, contra o sistema, defensores de valores, de movam-se condutas aos poucos foram se revelando o puro suco do brasileiro nato.
De forma geral, a nobreza da boa intenção e do amor ao.pais era substituída por uma nítida reação negativa por terem seus calos apertados ou anseios frustrados.
E assim vimos, apesar do apoio popular, muita gente desembarcando dia-a-dia de uma proposta de fazer diferente.
Vale notar que, quando o governo passou a fazer mais do mesmo, uma.parcela importante confiou, de forma fiel, tentando entender um cenário possível e acreditando numa futura mudança.
O resultado dessas indas e vindas, com uma série de eleições desde 2018, nos revela hoje algo muito ruim.
Não se trata de juízo de valores de personagens individualmente e não se trata de análise de estratégias politicas. Trata-se de analisar o extrato disso tudo, comportamento de forma geral.
De um."Deus, Pátria, Família e Liberdade"passando por antidrogas e ir à Igreja, o sujeito dessa direita, na eleição municipal deixa claro que isso importa.muito, desde que não mexa no seu bolso ou na sua boca. Ou no seu bem-estar local.
Olhem São Gonçalo e Marina, cidades limítrofes do grande rio. Ambas deram vitória a Jair Bolsonaro. Ambas elegeram prefeitos (São Gonçalo reelegeu o atual e Marica reelegeu um ex prefeito) com imensas votações, em torno de 80%. Uma elegeu um fiel soldado da direita e outro o suprassumo da esquerda.
Indiscutivelmente temos que procurar o melhor para cada um de nós. Todavia, como 30, 40 por cento de uma população varia seu voto em 180 graus?
Não tenho dúvidas que nesse grupo, muitos dirão ser conservadores, ou tem em seus costumes, hábitos conservadores, conceitos conservadores, ainda que alguns digam ideologicamente serem de esquerda. Mas o que pesa, ao fim e ao cabo, são aqueles ditos populares lá do texto anterior.
O brasileiro gosta de direitos, gosta de um estado paternalista, gosta de levar vantagem, gosta de se dar bem, gosta, gosta, gosta..., mas o que mais assusta nisso tudo, é o comportamento equivocado e não percebido em coisas mais sutis.
Não há dúvidas que muitos são sensíveis ao discurso da pauta racial, da pauta feminista, da pauta de classe social, sem que perceba.
Teve candidato crioulo (não vou escrever negro por que no Brasil sem preconceito, todos usavam essas palavras. Vejam como os sambistas de antigamente se tratavam, por exemplo) da direita que falou indiretamente em ter lugar de fala. Teve candidata usando o argumento de que mulher vota em mulher. Candidatos se colocando como vítimas de alguma condição qualquer e uma grande maioria propagando uma idolatria ou apoio incondicional (entenda o que a palavra incondicional significa para ver quão absurdo isso é).
E todos esses argumentos reverberando numa população apoiadora, eleitoral, que num frenesi sem fim, acredita estar resgatando valores.
Passado todo esse período, todas essas experiências, não dá para não notar que a direita brasileira é formada (sempre com exceções) por eleitores que clamam e defendem algo que abandonam convenientemente e eleitos que são politiqueiros aproveitadores de sempre.
Tudo isso se alinham ao pragmatismo da conquista do poder, defendida por esquerdistas, positivistas e afins. Tudo muito longe das premissas cristãs de doação, caridade, reforma íntima e enriquecimento espiritual.