A distância de um Brasil real para outro Brasil real é gigante. Aliás, são alguns "Brasis reais" que existem e em geral ignoramos.
A verdade é que estamos em um país formado por bolhas e mais bolhas, que não se comunicam entre si, a não ser por entretenimento na TV, futebol, ou outras coisas que servem de distrações ou estímulo as futilidades.
Vou falar aqui de três que noto existir.
Há um Brasil real para aqueles que entendem tudo que estamos vivendo. Não obstante, parte do grupo formado por pessoas preocupadas e aterrorizadas com as possibilidades que se apresentam reais, suscetíveis ainda aos estímulos criados por uma elite que se vale de conflitos de pensamentos antagônicos para alimentarem o "status quo"
Há um Brasil real vivido por pessoas que dão as costas para a política e os noticiários, que só querem saber de cuidar das suas vidas e pagar seus boletos. Quer seja pra sair do vermelho, quer seja pra juntar um dinheiro. Não ligando, não acreditando ou não percebendo a gravidade do momento, apesar de terem, paradoxalmente, uma consciência de que as coisas não estão boas. Penso ser esse o maior dos três grupos.
Há ainda um Brasil hipnotizado, envolvido, encantado e idiotizado. Pessoas afinadas, sintonizadas pela mesma sintonia, felizes da vida e regozijando-se com tudo que está acontecendo, pouco se importando com as consequências da quebra da ordem jurídica e com os problemas econômicos que já começam a apresentar a sua fatura.
Tirando o primeiro grupo, o que há de comum entre os outros dois é a forma da influência do caldo cultural. Ou seja, a cultura do povo, sua base cultural com tudo aquilo que alimenta essa cultura nos dias atuais.
Enquanto o primeiro, ainda que sofra a mesma influência, num efeito reverso, é isso o que lhe dá subsídio para entender o atual momento e se posicionar. Nos outros dois grupos , vemos um espécie de transição até um posicionamento oposto.
O segundo guarda os valores, que servem de base para o primeiro grupo, mas acabam botando um pé em cada canoa por sua postura. Já no terceiro, ou os valores estão relativizados ou estão incompreendidos, mal interpretados, sendo usados na defesa de tudo que está errado na nação nos dias de hoje.
E o que dá dinamismo na manutenção dessa engrenagem, ou seja, o que nutre esse caldo cultural atualmente é a informação (a desinformação) e a agenda imposta. Sem acesso a alta cultura, se consome qualquer coisa como cultura.
Logo, um grupo resiste, outro fica em cima do muro, acreditando tanto no primeiro quanto no segundo grupo e o terceiro, completamente absorvido por agendas e agentes de propaganda do sistema.
Esse é o Brasil real, formado por "Brasis reais", que existem, gostemos ou não. E a pergunta que faço é: onde falha (se é que falha) o primeiro grupo que não consegue fazer com que o segundo se envolva nos problemas que aí estão?
Cada vez me parece mais claro ser na comunicação e na falta de um pensamento estratégico de médio e longo prazo. Porém, a falha mais miserável de todas está com as autoridades religiosas. E aqui falo das autoridades mesmo, dessa gente que tem a capacidade de se comunicar direto com o povo, com os três grupos trazidos aqui mas que se deixa levar pelo pessoal (institucional) e financeiro. Agem como verdadeiros "sepulcro caiados", presos a liturgias, a aparências e a uma pregação da boca pra fora. Deixando de lado a essência do Cristianismo e fazendo acordo com o Diabo, literalmente, por questões materiais e mercadológicas.
Essa é uma verdade que precisa ser conhecida se queremos o povo brasileiro liberto verdadeiramente. Nossos líderes religiosos, em sua maioria, pensam mais no seu bolso, na sua Igreja, no seu mundinho e interesses de suas empresas de rádio, televisão e tantas outras coisas do que no povo brasileiro.
Se um cristão (católico, evangélico ou espírita) não pode aceitar um aborto, não há Igreja, papa, Padre, Bispo, Pastor, Mentor, liderança que possa sentar-se à mesa, negociar e fazer acordo com partidos e políticos que defendam isso. Mas fazem.
"Em nome de Deus, primeiro o meu". É isso que falam subliminarmente para aqueles que sabem ler a atitude dessas pessoas. E acabam ensinando ao povo que assim deve ser.
Em qual Brasil você se encaixa? E o seu líder religioso se comporta como?
Análise sincera de tudo, é o primeiro passo. Não dá pra mudar o Brasil sem mudar aquilo que está errado conosco e a nossa volta.