A patranha, em seu sentido lato e abstrato, é uma dissimulação simbólica. Ou melhor, um truque semiótico / linguístico.
Ela é criada e se espalha entre os Homens pela linguagem, platitudes, proselitismos e repetição mimética de narrativas pantomineiras.
E as palavras têm uma força agregadora ou destruidora sem paralelo ou páreo.
A mentira agiganta-se, pois, em oposição às verdades contidas no tecido da realidade, funcionando como uma espécie de artificial campo de anti-força ao real, tentando impedir que as genuinidades, em especial as cristalizadas nos fatos, se imponham, sejam vistas e discernidas.
Dificilmente uma mentira é suficiente ao ardoroso trabalho de ocultação de uma só verdade já que esta última é componente perene, contínua e total, material e basilar da estrutura da realidade, e que se impõe por existência e energia próprias, como se de uma granítica montanha se trate.
Portanto, normalmente, é necessário o esforço conjunto, coordenado e forçado de inúmeras mentiras para tentar sobrepor e ocultar uma só verdade que seja da realidade.
Dito isto, as fábricas de mentiras funcionam como centrais geradoras de intrujices (como são as centrais nucleares disso da velha imprensa e grande mídia, e de todos os que querem esconder uma tirania repleta de vítimas, crimes e rastros catastróficos abomináveis, com as patas e garras de tantos algozes, e cúmplices, como, desde sempre, vem ocorrendo por este humano mundo afora), centrais geradoras de intrujices, dizia-vos, que carecem de energia contínua para produções diárias de negações, falsificações, ocultações, deformações, inversões, subversões, engodos e fingimentos mil.
Todavia, quando a verdade, que apenas por existir se sustenta por energia própria indelével, começa a receber uma só fração de energia daquela que é empregada pelas tais fábricas de lorotas, e simplesmente apenas para ser exumada a sua existência, tende a ser exponencial o dispêndio de energia que esses clusters mentirosos precisam para sustentar tantas novas balelas (juntos às velhas) para anularem as poucas e colossais verdades que emergem através das densas camadas de terraplanagem e asfalto de irrealidades já criadas, depositadas e cristalizadas.
E fica, também, quase humanamente impossível organizar, coordenar e associar uma coerência lógica verossímil diante de tantas mentiras antigas já inventadas com tantas novas que são necessárias para combater algumas verdades altamente energéticas e que já começam a aparecer vivas, e à tona, visível a cada vez mais pessoas, e com tanta energia acumulada (por tanto tempo em que ficaram reféns e ocultadas) que serão capazes de aquecer facilmente infinitos corações de tantas massas de Homens sãos e despertos que, naturalmente, anseiam e necessitam conhecer cada verdade.
Toda a forma de tirania cai assim.
E um grande marcador de sua queda é quando todos os que a sustentaram por tantos anos e por tantas mentiras começam a ter que fazer esforços hercúleos para tentarem desesperadamente ainda mantê-la de pé.
E é precisamente esta etapa, em que algumas verdades começam já a aparecer de forma patente e que os vãos esforços do regime para mantê-las começam a estressar os alicerces mesmos dos complexos de plantas de usinas de falsidades, a qual estais tendo o privilégio de presenciar em vários cantos do mundo – este país tropical donde vos escrevo é por demais paradigmático –, etapa, esta, que, de forma escalar, também desnuda toda a farsante história da humanidade, e a que gira em torno deste reino sistêmico em si, até a contemporaneidade…
***
É que tudo passa e perece – essa é uma das maiores verdades que narrativa alguma jamais conseguirá escamotear.
O memento mori a todos e a tudo alcançará.
Preparai, então, vossas mentes, a todo o tempo, como se estivésseis chegando ao fim da vida.
Valorizar a vida presente, o momento, viver de forma mais plena e buscar a paz interior – é o imperativo desiderato.
Não adieis nada.
Façai as contas da vida a cada dia, a cada momento.
Certa vez, em determinado triunfo romano, a maioria do público estava de olhos grudados no general vitorioso na linha de frente — um dos lugares mais cobiçados à época.
Poucos notavam, entretanto, o obscuro ajudante atrás, secundando o comandante e sussurrando em seu ouvido: “Lembre-se, você é mortal”.
Que lembrança para ouvir no auge da glória e da vitória, não é mesmo?...
São lembretes como este que precisamos desesperadamente ter sempre em mente em nossas vidas — uma incontornável fatalidade que preferimos ignorar, fazemos de tudo para evitar, que recalcamos e fingimos não ser verdade ou que virá a acontecer conosco.
Na maioria das vezes nosso ego foge de qualquer coisa que nos lembre da realidade e que contradiga a narrativa confortável que construímos para nós mesmos.
Ou simplesmente ficamos petrificados ao encarar os fatos da vida como eles são.
E há um fato simples que a maioria de nós evita meditar, refletir e encarar: a de que vamos morrer e desaparecer, e que todos os nossos maiores afetos também desencarnarão…
Tais lembretes e exercícios consubstanciam então o conceito, significado e alcance do que é o memento mori.
Quem gosta de pensar na morte?
Mas, e se, em vez de ficarmos aterrorizados, angustiados e inconformados em aceitar essa incontornabilidade, fizéssemos o oposto?
E se refletir e meditar sobre esse fato fosse uma chave simples para viver a vida ao máximo e em toda a sua plenitude?
Meditar sobre a mortalidade só é deprimente se você não entender o ponto principal.
Na verdade, tal meditação é a maior das ferramentas para criar prioridades e significado em nossas vidas.
É uma ferramenta que gerações têm usado para criar perspectiva, prioridades, substrato, foco e urgência reais.
Para tratar o nosso tempo como uma benção e não desperdiçá-lo com coisas destrutivas, patologizantes, triviais e vãs.
Vistas assim as coisas a morte não tornará a vida sem sentido, mas sim repleta e plena de propósito.
E, felizmente, não precisamos “quase morrer” para nos conectarmos a isso.
Este é o despretensioso e aforístico lembrete da semana que tenta contribuir para vos aproximardes de viver a vida que desejais – a única que tendes ao dispor no aqui e agora.
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com Intelecto, cognição e lucidez impoluta™
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