Quando a República Romana atravessava uma grave crise, com o ex-general e depois, então, cônsul Caio Mario querendo implantar à força mudanças abruptas que mexeriam profundamente no equilíbrio do sistema aristocrático que sempre existiu na cidade, iniciou-se uma guerra civil, desencadeada por Lucio Cornelio Sila, um patrício e militar.
Sila veio em defesa da permanência do sistema existente, sem as mudanças pretendidas por Mário, de quem já havia inclusive sido aliado e “lugar-tenente” no exército romano, tendo participado, sob seu comando (do general Caio Mario), da guerra contra Jugurta, o rei da Numidia, região depois conquistada por Roma (equivalente, hoje, à vasta região do Marrocos, Tunísia e Argélia, no Norte da África).
Mário (e seus partidários) perdeu a guerra civil, e Sila (e seus partidários) venceu.
Depois da guerra civil, Sila transformou-se em um tirano. Estabeleceu proscrições, colocou-se no cargo de ditador, e fez barbaridades, como perseguições aos aliados de Mario. Mas o interessante é que quando ele achou que a República estava salva, e que o risco havia sido neutralizado, afastou-se do poder e do cargo de maneira natural, sem qualquer alarde.
Depois disso a República Romana seguiu por mais algumas décadas, até Júlio César, que havia sido poupado por Sila nas proscrições de 20 anos atrás, tomar posse de Roma e aniquilar de vez com o regime político existente, virando o 1º Imperador de fato, acabando com um sistema de quinhentos anos de idade, que tinha estabilidade, equilíbrio e alternância de poder.
Mas o desenrolar dos fatos não é o que quero frisar aqui; o que importa aqui é dizer que quando existe uma situação grave, que demanda a atuação de quem tiver que atuar, algo sempre deve ser feito.
A história mostra que, em momentos de grave crise, as pessoas agiram para mudar o curso das coisas.

–– IMAGEM: ‘Mario no exílio’ (1912)